sábado, 6 de abril de 2019

Dom Gaifeiros e o velho Convento de Penafirme.

A ORIGEM DO NOME
A outra lenda talvez seja história, é natural que sim. A história de Penafirme, contavam as pessoas mais antigas, que um fidalgo andava no mar e a certa altura o barco naufragou. E ele, agarrado a uma prancha, a um tronco, a uma madeira, viu-se muito aflito e pediu a Nossa Senhora da Graça que se fizesse dele pôr o pé firme, que ele mandaria construir um convento. E aí está. E depois Nossa Senhora conseguiu. Ele saiu ali junto à praia de Santa Rita e ali mesmo é que ele mandou construir o convento em honra de Nossa Senhora da Graça. E hoje há a Póvoa, Póvoa de Penafirme. Pé na firme: ao ver o pé firme. E ficou a Póvoa de Penafirme.

O CONVENTO
Em "COROGRAPHIA PORTUGUEZA"
"N. Senhora da Graça de Penafirme dista da villa (ndr. Torres Vedras) legoa, e meya, e está situado junto do mar entre as villas da Ericeyra, e Peniche, tres legoas distante de ambas. Fundou este convento Santo Ancirado Martyr pelos annos de 850 e o reedificou depois S. Guilherme, Duque de Aquitania, quando veyo em peregrinaçam a Santiago de Galiza".

S. Bernardo de Claraval converte Guilherme de Aquitânia
QUEM ERA GUILHERME DIQUE DA AQUITANIA.
Tal como o seu pai, Guilherme X era um amante das artes e patrono dos trovadores, música e literatura mas ao contrario do seu filho Guilherme IX foi um homem que gostava de chocar e apesar de ter sido ameaçado de excomunhão várias vezes - chegou mesmo a planear a construção de um convento onde as freiras seriam escolhidas entre as raparigas mais bonitas da região, projecto que acabou abandonado - só no fim da vida Guilherme doou somas importantes à Igreja, talvez para se redimir da má impressão causada.
Já seu filho era um homem culto, numa época em que os governantes eram quase todos analfabetos, que se esforçou para oferecer às filhas uma educação esmerada.
Apesar do seu amor às artes, Guilherme não foi um homem pacífico e envolveu-se em vários conflitos com França e seu vizinho Condado da Normandia. Dentro das suas fronteiras teve de lidar com várias revoltas que suprimiu com violência. Na política externa, Guilherme apoiou o Antipapa Anacleto II em oposição ao Papa Inocêncio IIe os seus próprios bispos. Em 1134, foi persuadido por Bernardo de Claraval a aceitar o líder legítimo da Igreja. Para expiar os seus pecados, Guilherme iniciou uma peregrinação a Santiago de Compostela e é aqui que faz a sua doação para a reedificação do Convento.
Guilherme acaba por morrer de intoxicação alimentar durante a viagem mas que despertou a imaginação de um qualquer trovador jogral  que compôs uma das mais importantes, senão a mais importante, poesias jacobeias em língua galega.

DOM GAIFEIROS
A poesia

"Sentado está Dom Gaifeiros
Lá em palácio real,
Assentado ao tabuleiro
Para as tábulas jogar.
Os dados tinha na mão,
Que já os ia deitar,
Senão quando vem seu tio
Que lhe entra a pelejar:
– «Para isso és, Gaifeiros,
Para os dados arrojar;
Não para ir tomar damas,
Com a moirisma jogar.
Tua esposa lá têm moiros,
Não sabes ir buscar:
Outrem fora seu marido,
Já lá não havia estar.»
Palavras não eram ditas,
Os dados vão pelo ar...
A que não fora o respeito
Da pessoa e do lugar,
Távolas e tabuleiro
Tudo fora espedaçar.
A seu tio, Dom Roldão,
Tal resposta lhe foi dar:
– «Sete anos a busquei, sete,
Sem a poder encontrar;
Os quatro por terra firme,
Os três sobre águas do mar.
Andei por montes e vales,
Sem dormir, nem descansar;
O comer, da carne crua,
No sangue a sede matar.
Sangue vertiam meus pés
Cansados de tanto andar;
E os sete anos cumpridos
Sem a poder encontrar.
Agora a saber sou vindo
Qua Sansonha foi parar;
E eu sem armas nem cavalo
Com que a possa ir buscar:
Que a meu primo Montezinhos
Há pouco os fui emprestar
Para essa festa de Hungria
Onde se foi a justar.
Mercê vos peço, meu tio,
Se ma vós quiséreis dar,
Vossas armas e cavalo
Que mos queirais emprestar.»
– «Sete anos são cumpridos,
Bem nos deves de contar,
Que Melisendra é cativa
E a vida leva a chorar.
E sempre te vi com armas,
Com cavalos a adestrar;
Agora que estás sem eles
É que a queres ir buscar?
Minhas armas não te empresto
Que as não posso desarmar;
Meu cavalo bem vezeiro,
Não o quero mais vezar.»
– «As vossas armas, meu tio,
Que mas não queirais negar
A minha esposa cativa
Como a hei-de eu ir buscar?
– Em São João de Latrão
Fiz juramento no altar,
De a ninguém não prestar armas
Que mas faça acobardar.»

Dom Gaifeiros, que isto ouviu,
A espada foi a tirar;
Saltam-lhe os olhos da cara
De merencório a falar:
– «Bem parece, mal pesar!
O muito amor que me tendes
Para assim me afrontar.
Mandai-me dizer por outrem
Que me las possa pagar,
Essas palavras, meu tio,
Que vos não quero tragar.»
Acode ali Dom Guarino,
O almirante do mar,
Durandarte e Oliveiros
Que os vêm a separar;
Com outros muitos dos Doze
Que ali sucedeu de estar.
Dom Roldão muito sereno
Assim lhe foi a falar:
– Bem parece, Dom Gaifeiros,
Bem se deixa de mostrar
Que a falta de anos, sobrinho,
Em tudo vos faz faltar.
Aquele que mais te quer
Esse te há-de castigar:
Foras tu mau cavaleiro,
Nunca eu te dissera tal,
Porque sei que tu és bom, to disse...
E agora, armar e selar!
Meu cavalo e minhas armas
Aí estão a teu mandar,
E mais, terás o meu corpo
Para te ir acompanhar.»
– «Mercês, meu tio, hei-de ir só,
Só, tenho de a ir buscar.
Venham armas e cavalo
Que já me quero marchar,
De covarde a mim! ninguém
Nunca ninguém me há-de apelidar.»
Dom Roldão a sua espada
Ali lhe foi entregar:
– «Pois só queres ir, sobrinho,
Esta te há-de acompanhar.
Meu cavalo é generoso,
Não o queiras sopear;
Dá-lhe mais rédea que espora,
Nele te podes fiar».

Andando vai Dom Gaifeiros,
Andando de bom andar.
Por essas terras de Cristo,
Té a Moirama chegar.
Ia triste e pensativo,
Cheio de grande pesar;
Melisendra em mãos de moiros,
Como lha há-de sacar?...
Pára às portas de Sansonha
Sem saber como há-de entrar:
Estando neste cuidado
As portas se abrem de par.
El-rei com seus cavaleiros
Saía ao campo a folgar;
Mui galãs iam de festa,
Mui ledos a cavalgar.
Furtou-lhe as voltas de Gaifeiros,
Pelas portas foi entrar;
Deu com um cristão cativo
Que ali andava a trabalhar:

– «Por Deus te peço cativo,
E ele te venha livrar!
Assim me digas se ouviste
Nesta terra anomear
A uma dama cristã,
Senhora de alto solar,
Que anda cativa entre moiros
E a vida leva a chorar.»
– «Deus te salve, cavaleiro,
Ele te venha ajudar!
A assim me dê outra vida,
Que esta se vai a chorar.
Pelos sinais que me destes,
Já bem te posso afirmar
Que a dama que andas buscando
Em palácio deve estar.
Toma essa rua direita
Que leva ao paço real,
Lá verás pelas janelas
Muitas cristãs a folgar.»
Tomou a rua direita
Que no passo vai dar
Alçou os olhos ao alto,
Melisendra viu estar,
Sentada àquela janela
Tão entregue a seu pensar,
Que as outras em redor dela
Não nas sentia folgar.
Rua abaixo, rua acima
Gaifeiros a passear.
– «Oh que lindo cavaleiro,
De tão gentil cavalgar!»
– «Melhor sou jogando às damas,
Com moiros a batalhar!»
Melisendra que isto ouviu
Começava a chorar:
Não já que ela o conhecesse,

Nem tal se podia azar,
Tão coberto de armas brancas,
Tão dif ‘rente no trajar;
Mas por ver um cavaleiro
Que lhe fazia lembrar
Aqueles Doze de França,
Aquela terra sem par,
As justas e os torneios
Que ali soíam de armar
Quando por sua beleza
Andavam a disputar.
Com voz chorosa e sentida
Começou de o chamar:
– «Cavaleiro, se a França ides,
Recado me heis levar,
Que digais a Dom Gaifeiros
Por que me não vem buscar.
Se não é medo de moiros
De com eles pelejar,
Já serão outros amores
Que o fizeram olvidar...
Enquanto eu presa e cativa
A vida levo a chorar
E mais se este meu recado,
O não quis aceitar.
Dá-lo-eis a Oliveiros
A Dom Beltrão o heis-de dar.
E a meu pai o Imperador
Que já me mande buscar,
Pois me querem fazer moira
E de Cristo renegar.
Com um rei mouro me casam
De além das bandas do mar,
Dos sete reis de Moirama
Rainha me hão-de coroar.»
– «Esse recado, senhora,
Vós mesma lho haveis de dar;
Dom Gaifeiros aqui o tendes
Que vos vem a libertar.»

Palavras não eram ditas,
Os braços lhe foi a dar,
Ela do balcão abaixo
Se deitou sem mais falar.
Maldito perro de moiro
Que ali andava a rondar!
Em altos gritos o moiro
Começava a bradar:
– «Acudam à Melisendra,
Que a vêm os cristãos roubar.»
«Melisendra minha esposa,
Como havemos de escapar?
– «Com Deus e a Virgem Maria
Que hão-de acompanhar.»
– «Melisendra, Melisendra,
Agora é o esforçar!»
Aperta a cilha ao cavalo,
Afrouxa-lhe o peitoral,
Saltou-lhe em cima de um pulo
Sem pé no estribo poisar.
Tomou-a pela cintura,
Que o corpo ergueu por lhe dar;
Assenta a esposa à garupa
Para que o possa abraçar,
Finca esporas ao cavalo,
Que o sangue lhe fez saltar.
Aqui vai, acolá voa...
Ninguém no pode alcançar.
Os moiros pela cidade
A correr e a gritar;
Quantas portas ela tinha
Todas as foram cerrar.
Sete vezes deu a volta
Da cerca sem a passar,
O cavalo às oito vezes
De um salto a foi saltar.
Já os moiros da cidade
O não podem avistar:
Acode o rei Almançor
Que vinha de montear,
Com todos seus cavaleiros
Lá deitam a desfilar,
Sentiu logo Dom Gaifeiros
Como o iam alcançar:
– «Não te assustes, Melisendra,
Que é força aqui apear
Entre estas árvores verdes
Um pouco me hás-de aguardar.

Enquanto eu volto a esses cães
Que os hei-de afugentar.
As boas armas que trago
Agora as vou a provar.»
Apeou-se Melisendra,
Ali ficava a rezar.
O cavalo, sem mais rédea,
Aos moiros se foi voltar:
Cansado ia de fugir
Que já mal podia andar,
Cheirou-lhe ao sangue maldito,
Todo é fogo de abrasar
Se bem peleja Gaifeiros,
Melhor é seu pelejar;
A qual dos dois anda a lida
Mais moiros há-de matar
Já caem tantos e tantos
Que não têm conto nem par;
Com o sangue que corria
O campo se ia a alagar.
Rei Almançor que isto via,
Começava de bradar
Por Alá e Mafamede
Que o viessem amparar:
«Renego de ti, cristão,
E mais do teu pelejar!
Não há outro cavaleiro
Que se te possa igualar,
Será este Urgel de Nantes,
Oliveiros singular,
Ou o infante Dom Guarim
Esse almirante e do mar?
Não há nenhum dentre os Donze
Que bastasse para tal...
Só se fosse Dom Roldão
O encantado sem par!»

Dom Gaifeiros que o ouvia,
Tal resposta lhe foi dar:
– «Cala-te daí, rei moiro,
Cala-te, não digas tal,
Muito cavaleiro em França
Tanto como esses val.
Eu nenhum deles não sou,
E me quero nomear:
Sou o infante Dom Gaifeiros,
Roldão meu tio carnal,
Alcaide-mor de Paris
Minha terra natural.»

Não quis o rei mais ouvir
E não quis mais porfiar,
Voltou rédeas ao cavalo,
Foi-se em Sansonha encerrar.
Gaifeiros, senhor do campo,
Não tem com quem pelejar;
Cheio de grande alegria
Melisendra foi buscar.
– «Ai! se vens ferido, esposo?
Eram tantos esses moiros,
E tu só a batalhar.
Mangas de minha camisa,
Com elas te hei-de pensar;
Toucas de minha cabeça
Faixas para te apertar.»
– «Cala-te daí, infanta,
E não queiras dizer tal;
Por mais que foram n‘os moiros,
Não me haviam fazer mal:
São de meu tio Roldão
Estas armas de provar;
Cavaleiro que as trouxesse,
Nunca pode perigar.»

Cavalgam, vão caminhando,
Não cessam de caminhar,
Por essa Moirama fora
Sem mais temor nem pesar;
Falando de seus amores
Sem de mais nada pensar.
Em terras de cristandade
Por fim vieram a entrar.
A Paris já são chegados,
Já saem para os encontrar,
Sete léguas da cidade
A corte os vai esperar.
Saía o Imperador
A sua filha a abraçar;
Palavras que lhe dizia,
As pedras fazem chorar.
Saíu toda a fidalguia,
Cleresia e secular,
Os Doze Pares de França,
Damas sem conto nem par.
Dona Alda com Dom Roldão

E o almirante do mar,
O arcebispo Turpim
E Dom Julião de além-mar,
E o bom velho Dom Beltrão,
E quantos soem de estar
Ao redor do Imperador
Em sua mesa a jantar.

Grande honra a Dom Gaifeiros!
Os parabéns lhe vão dar;
Por sua muita bondade
Todos o estão a louvar,
Pois libertou sua esposa
Com valor tão singular.
As festas que se fizeram
Não têm conto nem par."

In: Almeida Garrett - Romanceiro

UMA OUTRA LENDA
A Lenda da cruz
Reza a lenda que na manhã de dia 1 de Novembro de 1755 pelas 9:30 ou 9:40, Frei Aleixo estaria no exterior do Convento a tratar da sua horta quando se deu o sismo seguido de um Tsunami. A onda gigante com cerca de 20 metros de altura entrou pela costa direito ao vale onde estava situado o Convento de Penafirme. Frei Aleixo, em desespero, deixou os seus afazeres e desatou a subir monte acima para escapar á fatídica onda. Contudo, Frei Aleixo não aguentou a pressão da subida e sucumbiu já no topo do monte.
A Cruz foi erguida no local onde sucumbiu para lhe prestar homenagem.

sábado, 5 de janeiro de 2019

ANSIÃO: A Fonte Santa

    O milagre da Fonte Santa de Ansião conta-se em duas versões. A versão mais generalizada conta-nos que teria ocorrido junto a uma eira onde uma criança guardava o milho que os pais tinham a secar. Mortificada pelo calor ardente e cheia de sede a menina foi a casa para beber água e a mãe, zangada por ter desobedecido, não só não a deixou beber água como a obrigou a regressar à eira, onde a criança, a chorar, começou a rezar, ao que lhe acudiu Nossa Senhora que se lhe apareceu dizendo para procurar na areia que encontraria água. A criança assim fez e a nova rapidamente se espalhou por toda a freguesia de onde começaram a acudir na procura de remédio para as suas doenças.
   A segunda versão contada dois anos após o milagre ter acontecido por Manuel Severim de Faria, Chantre da Sé de Évora, que ali foi em romaria, relata que um menino sonhou que no milho que o pai tinha semeado no seco areal a Virgem lhe dava uma fonte. Tendo a criança no dia seguinte, escavado com as mãos o local indicado e deparando-se-lhe a nascente. Relata ainda Severim de Faria que logo acorreram ao local doentes que ao se lavarem com a dita água encontraram cura para os seus males.
   Independente da lenda que lhe deu começo a fonte não seria mais que um simples buraco aberto no areal tendo diante um outro para onde corria a água milagrosa.
  Encontramos a Fonte Santa na saída de Ansião, aproximadamente um (1) quilometro depois da Ponte da Cal.  Incisa na verga da porta do nicho está a inscrição «ESTA FONTE APARESEO A 11 DE AGOSTO DE 1623». O nicho em forma de vieira -, é rematado por uma cruz de terminações e no seu interior está a bica que canaliza a água que vem da nascente (uns metros mais acima).
   Anexo ao nicho, um pequeno edifício rectangular aberto por porta e óculo tem no seu interior uma banheira de pedra para imersão dos doentes nas águas milagrosas.
   No lado oposto da fonte destaca-se uma curiosa caixa de esmolas constituída por um monolítico bloco de pedra furado na parte de cima para o depósito das esmolas e aberto lateralmente por portinhola de ferro.
   Uns metros mais acima encontra-se a cisterna e no topo da encosta ergue-se uma capelinha de planta quadrangular que guarda a imagem de Nossa Senhora da Paz na noite da procissão que acontece no primeiro domingo do mês de Agosto parte da Capela de Nossa Senhora da Paz (a 1 Km da Fonte) ficando a imagem na capelinha sob vigilância dos fiéis, regressando no dia seguinte à Capela, junto da qual se realizam as festas.

Fontes:
- Inventário do Património Arquitectónico. Fonte Santa, IPA: 00008876;
- COUTINHO, José Eduardo Reis, Ansião. Perspectiva Global de Arqueologia, História e Arte da Vila e do Concelho. Coimbra, 1986;
- DIAS, Manuel Augusto. Confraria de Nossa Senhora da Paz da Constantina. Ansião, 1996.

domingo, 4 de novembro de 2018

MOSTEIRO DE SANTOS-O-NOVO (Comendadeiras de S. Tiago)

A 5 de Setembro de 1490, as comendadeiras da Ordem de Santiago de Espada abandonam o edifício de Santos-o-Velho, que até então ocupavam, e mudam-se para um outro na freguesia de Santa Engrácia, no local denominado Santa Maria do Paraíso, onde se ergue o Recolhimento Lázaro Leitão, sob a protecção do rei D. João II, sendo comendadeira-mor Catarina Nogueira
No inicio do séc. 17 decide-se construir um novo mosteiro, nas imediações para tal em 1606, Domingos Ribeiro Cirne é nomeado para cobrar as dívidas aos credores das monjas, de forma a garantir financiamento para a obra e nesse mesmo ano é ordenada a feitura das traças do edifício, provavelmente executadas por Baltasar Álvares, arquitecto das Ordens Militares. Passados 3 anos (1609), a 9 Fevereiro, é lançamento da primeira pedra. 
Ainda em construção em 1629, as freiras transferem-se para o novo edifício que apenas tem a sua conclusão em 1685.
O Mosteiro é composto por claustro quadrangular maneirista, igreja joanina de planta rectangular, com entrada principal por fachada lateral, esquema obrigatório nos conventos femininos, perpendicular à ala Este, com eixo interno, formado pela capela-mor, possuindo coro-baixo, coro-alto e sacristia adossada ao lado Norte. 
As fachadas conventuais maneiristas, tomando como fonte o Mosteiro de São Bento, em Lisboa, rasgadas por janelas de perfil rectilíneo com moldura de cantaria, algumas com grades, sendo circunscritas por duplas pilastras toscanas, único elemento de destaque na sobriedade das mesmas. O claustro de três pisos, dois com arcadas sobrepostas, assentes em pilares de cantaria e outro reentrante, formando terraço. 
As alas são profundas, com cobertura de berço com penetrações, onde surgem várias capelas, com decoração do barroco nacional, caso da Capela de Nossa Senhora da Encarnação. 
As Celas de dimensões consideráveis, constituindo unidades habitacionais para as comendadeiras, correspondentes ao seu estatuto de não clausura, com as fachadas rasgadas por 365 janelas.
No piso inferior, da zona conventual mantêm-se, na ala Sul o oratório de Santiago Maior.
Na Calçada da Cruz da Pedra onde se localiza um dos portais, encimado pelas armas da Ordem de Santiago da Espada e no Museu da Cidade encontra-se o Portal Manuelino que apresenta uma vieira, símbolo da peregrinação jacobeia.

Fontes:

  • CASTRO, João Baptista de, Mappa de Portugal, Lisboa, 1762-63; 
  • COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portuguesa e Descripçam Topográfica, tomo III, Braga, 1869; 
  • LEAL, Augusto Soares Pinho, Portugal Antigo e Moderno: Dicionário, Lisboa, 1873-90; 
  • MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; 
  • OLIVEIRA, Eduardo Freire de, Elementos para a História do Município de Lisboa, 17 vols., Lisboa, 1882-1911; 
  • OLIVEIRA, Nicolau (Frei), Livro das Grandezas de Lisboa, Lisboa, 1992; 
  • PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, Diccionario historico, chorographico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico, vol. IV, Lisboa, 1909; 
  • PEREIRA, Luís Gonzaga - Monumentos Sacros de Lisboa em 1833. Lisboa: Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacional, 1927; 
  • Regimento do Mosteiro de Santos da Ordem de Santiago da Espada, Lisboa, 1793; 
  • SOUSA, António Caetano de, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, tomo XI, Lisboa, 1745-52; 
  • VITERBO, Sousa, Dicionário Histórico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou ao serviço de Portugal, vols. I e III, Lisboa, 1899.


terça-feira, 30 de outubro de 2018

PATRIMÓNIO | Sé Catedral de Lisboa

A Sé Catedral de Lisboa - que noutros tempos era apelidada de Igreja de Santa Maria Maior -, foi construída, ao que tudo indica, sobre a antiga mesquita muçulmana. O primeiro impulso edificador deu-se entre 1147, data conquista da cidade, e nos primeiros anos do século XIII. O projecto adoptou um esquema idêntico ao da Sé de Coimbra, com três naves, trifório sobre as naves laterais, transepto saliente e cabeceira tripartida, modelo essencialmente de raiz normanda, devido, com grande probabilidade, à origem do arquitecto Roberto.

Nos séculos seguintes, deram-se as alterações mais marcantes, com a construção da Capela de Bartolomeu Joanes (uma capela privada de carácter funerário), o claustro dionisino e, especialmente, a nova cabeceira com deambulatório, mandada construir por D. Afonso IV para seu panteão familiar que constitui o mais importante capítulo gótico entre Alcobaça e a Batalha.

Ao longo da Idade Moderna o edifício foi objecto de enriquecimentos arquitectónicos e artísticos vários, como o testemunha a Sacristia, ou a grandiosa capela-mor barroca, mas a grande parte destas obras foi suprimida nas duas campanhas de restauro da primeira metade do século XX, cujo objectivo foi a "restituição" da atmosfera medieval a todo o conjunto.

Nos primeiros anos de Novecentos, Augusto Fuschini pretendeu reinventar uma catedral medieval, com laivos de fantasia neo-gótica e neo-clássica. A sua morte, em 1911, veio determinar o abandono do projecto. Nas décadas seguintes, sob o impulso de António do Couto Abreu, o restauro da Sé privilegiou as estruturas pré-existentes, dotando o edifício de um aspecto neo-românico evidente, cuja inauguração solene foi efectuada em 1940.

Será de referir que a Capela de SANTIAGO se situava onde se encontra o retábulo de Nossa Senhora a Grande - flanqueia o Arco Triunfal do lado oposto ao dedicado a Nossa Senhora Grande -, e junto à qual se fez sepultar, D. Álvaro, em 1184, talvez o seu instituidor, sendo por isso o primeiro local de culto a S. Tiago Maior na cidade de Lisboa.

Fontes: 

  • BEIRÃO, Sarah - Monumentos da Capital. Revista Municipal. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1943, n.º 15, pp. 69-72;
  • CASTRO, João Bautista de - Mappa de Portugal Antigo e Moderno. 3.ª ed., Lisboa: Typographia do Panorama, 1870, tomo III; 
  • CASTRO e SOUSA, António Dâmaso de - Monografia da Igreja Matriz da cidade de Lisboa. Boletim Architectónico e de Arqueologia. Lisboa: Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses, 1875-1876, tomo I, n.º 5 a 9; 
  • COSTA, António Carvalho da - Corografia Portugueza... 2.ª ed., Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouveia, 1869, pp. 240-241; 
  • CUNHA, Rodrigo da - História Ecclesiastica da Igreja de Lisboa... Lisboa: Manoel da Sylva, 1642, vol. I; 
  • FERNANDES, Paulo Almeida - O sítio da Sé de Lisboa antes da Reconquista. ARTIS. Lisboa: Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2002, n.º 1, pp. 57-87; 
  • FONSECA, Martinho da - A Sé de Lisboa e Augusto Fuschini. Lisboa: 1912; 
  • FUSCHINI, Augusto - A Architectura Religiosa da Edade-Média. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904; 
  • GASCO, António Coelho - Das Antiguidades de Muy Nobre Cidade de Lisboa... . Coimbra: Imprensa da Universidade, 1924;



quinta-feira, 15 de março de 2018

🚨 A L E R T A 🚨

Pede-se a todos os peregrinos para terem em atenção as condições climatéricas que estão a assolar Portugal e a Galiza.
Antes de iniciar a sua jornada diária por favor questione no Albergue, Bombeiros ou Policia das condições do terreno e a possibilidades de inundações devido ao aumento dos caudais de rios, riachos e ribeiros.
Caminhe em Segurança!
Ultreya e Suseia.
Bom Caminho.

domingo, 11 de março de 2018

TUY / Ponte de S. Telmo * * * * * A L E R T A * * * * *

ETAPA: TUY > PORRINO

O caminho na sua passagem pela Ponte de S. Telmo, está encerrado por motivos inundação, hoje dia 11/02/2018. Para vossa segurança sigam a rota alternativa marcada pela Policia Local de TUY.
 Bom Caminho!

 Ps. Obrigado Mayte Morris Morris!




* * * * * A L E R T A * * * * *


ETAPA: SANTARÉM > GOLEGÃ

Informamos que a zona ribeirinha do Tejo após Vale de Figueira está inundada.
Os Peregrinos, depois de Vale Figueira, devem seguir pela N365 até a Azinhaga passando pelo Pombalinho, evitando assim toda a zona ribeirinha da quinta da Piedade e a zona do Reguengo do Alviela.
Pedir informações no café em frente da Igreja de Vale Figueira!
CAMINHE EM SEGURANÇA.
Bom Caminho!



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mais de 42 mil peregrinos esperados em Valença?

Assim vamos por terras portuguesas!
Por aqui o Caminho de Santiago (tal como o francês) virou uma questão de moda local onde o turismo ultrapassou a peregrinação, onde os "momentos bem passados" arredou a espiritualidade.


Ao contrario do que apregoa a Administração Pública Regional e Local o Caminho não é, nem pode ser Turismo! Se querem um exemplo observem o que se está a passar no Caminho Francês! é isso que pretendem? NÓS NÃO! 

Esta é a palavra de quem fez (sim porque antes dos senhores chegarem existiram pessoas que sem qualquer interesse económico ou outro) trabalho e realizaram a investigação, a delimitação e a sinalização, de um itinerário que os senhores nem sabiam  que existia e da qual as Direcções Regionais de Turismo; as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia.

Os senhores ao pretenderem ter mais peregrinos vão massificar o Caminho Central Português a Santiago, na verdade estão a tratar um Caminho de Santiago como algo que não é nem pode ser... um produto Turístico!

Ultreia e Suseia e Bom Caminho!

Ler noticia 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

VADEMECUM DE URGENCIA PARA PEREGRINOS VERANIEGOS AGOBIADOS

Eres peregrino o lo quieres ser.  Tienes pocas fechas, no puedes elegir, debes ir necesariamente en verano. Además, quieres ir al Camino por excelencia (y por méritos): el Camino Francés, no quieres renunciar a él. No quieres permitir que roben tu Camino.
Pero lo que lees, lo que largan otros peregrinos,  lo que cuentan los tribuletes a sueldo de Turismo de Galicia, lo que hace orinarse de placer a los canónigos en sus sotanas y lo que aplauden algunas asociaciones jacobeas pesebreras, te acojona:  miles y miles y miles y miles de personas ocupando los últimos cien kilómetros, madrugando a horas inhóspitas para caminar en la noche como autómatas con el único objetivo de estar a las diez de la mañana en una cola para coger cama, turbamulta de taxis, aquelarre de agencias de turismo, autobuses, gritos, gente pisándose la cabeza….  te acojona y te produce rechazo, y con razón, probablemente eres un ser civilizado, tu libre albedrío no está en venta y quieres paz  y Camino, jamás “eso”.
Esa paz incluye la ausencia de rebaños gritones y asilvestrados por las corredoiras. Yo tampoco quiero eso, y otros muchos que han mandado a tomar esmeradamente por el culo el “relativismo” y el todo vale,  idem de idem. No nos rendimos. No renunciamos. Tú tampoco renuncies. Además, si no renuncias, tendrás el enorme placer de que te llamen raro y  “taliban” por salirte del rebaño. Cuando sea así ensaya un restallante corte de mangas, ya verás que bien te quedas.
Así  que tranquilo, toma mi mano, ven a tu Camino y disfruta: ¿cómo? Pues haciendo lo que otros hicimos y hacemos. Claro que para eso hacen falta tres cosas: A) Poner de bandera tu libertad por encima de todo B) Ser joven. Y no me refiero a los años (hay viejos de veinte años) C) Caminar con los ojos abiertos, vivir sobre el país y tener una enorme e innegociable capacidad de disfrute.
¿Estás de acuerdo? Pues escucha
:
1) Tal vez para tu sorpresa, caminar por el extremo occidente europeo tiene sus ventajas. Entre ellas una impagable: en verano se hace de noche  no antes de las 22.30 horas. ¿Lo pillas? ¡Hay luz un montón de horas!  La gavilla de excursionistas madruga (se suelen levantar sobre las cinco de la madrugada), caminan compulsivamente de noche sin enterarse de casi nada (tanto les daría dar vueltas a la manzana de su casa sorteando cagadas de perros), y todo para ponerse a las 10 de la mañana a la cola de un albergue para pillar cama. Luego, sin seguir enterándose de nada, duermen y juegan a las cocinitas el resto del día. Nulo contacto con el país que pisan y el ¿Camino? que llevan.  No va a ser tu Camino, tranquilo.
2) Lo que te propongo vale para caminar tu solo/a  o para hacerlo con tu pareja o parejo. Una tienda ultraligera para dos no llega a un kilo de peso. Añádele un saco de dormir, también ligero (no caminas precisamente en invierno)  y una esterilla. Y, toma yaaaa, eres libre cómo el viento.  Olvídate de colas, aglomeraciones,  calor “humano” e inhumano. Vuela alto y vete por libre.  Particularmente uno prefiere la alternativa hamaquil,  hay hamacas superligeras y baratas, y Galicia es el wallhalla de los hamaqueros: hay árboles por todas partes.  Tienda de vivac o hamaca, te permite todo, absolutamente todo.
3) Esa libertad te permitirá vivir sobre el terreno, o vivir sobre el país, es decir, el éxtasis de todo viajero. Mandas tú.  Te levantarás a la hora que quieras, caminarás cuándo y cuánto quieras sin ir condicionado más que por tu libérrimo albedrío, te descojonaras viendo pasar en la alta madrugada al rebaño de los buscacamas,  podrás tomar vinos, comer donde te pete, charlar con los viejos, incluso (y te lo aconsejo encarecidamente) acudir a las infinitas romerías y verbenas nocturnas que ofrece el país. Mezclarte con la gente, ser uno más, vivir el Camino. ¿Tienes prisa?, ¿tienes que apagar algún incendio?, ¿verdad que no? Pues relájate, disfruta y vive tu Camino. Es tuyo, no hay “catedrales”, “ni Xuntas”, ni touroperadores que te lo puedan robar, es tuyo.
4) Te sorprenderá ver, a partir de las 13 horas, el Camino absolutamente vacío, es un desierto. Es tu oportunidad, es todo para ti, hasta las 22,30 es un regalo. El famoso “Camino masificado” desaparece como por ensalmo. Y ofrece otras ventajas: la caridad de la gente se acentuará cuando te vean: “Pobre rapaz, perdeuse do rebaño, ven aquí, toma un shupito rapaz, ¿queres que chamemos a Protesión Sivil ou a Polisía Montada do Canadá?”.  Todas las puertas (cerradas a cal, piedra y lodo por la mañana) se abrirán para ti. Serás un bicho raro, es decir, gloria bendita y especie a proteger.
5) Si aprendes nuestras canciones, sobre todo las románticas, triunfarás en las verbenas y romerías, ve tomando nota de las más románticas: “unha vella do tempo dos celtas fixo das tetas dous metralletas/ e fixo ben, e fixo ben, nas tetas da vella non manda ninguén”. O, en su caso: “unha vella do tempo dos mouros fixo da cona unha praza de touros/ e fixo ben, e fixo ben, na cona da vella non manda ninguén”  Si apareces con algo así te adorarán. No te cortes y, si hace falta, echa un aturuxo.
6) FINANCIACIÓN. Te voy a echar una mano para la financiación del viaje (de nada tío). Seguramente andas pelao, y lo que te propongo te puede generar algún gasto (me refiero a la parte verbenera y a la mariscada que te debes dar en Santiago a modo de homenaje).  Escucha, toma nota: la mayoría de asociaciones del Caminito han quedado reducidas a hacer concursitos de afoticas del Camino. Son docenas y docenas de concursitos, y suelen dar premio en metálico. Pues escucha: cómprate una cámara de foto trampeo (las hay cojonudas por 120 euros y sé lo que digo), colócalas a pie de ruta y deja que la cámara vaya fotografiando al rebaño de agobiados esperpénticos que caminan desesperadamente braceando en la noche. Ganarás todos los concursos, incluso  los de National Geografic, Geo y el memorial Félix Rodríguez de la Fuente.  Incluso si las mandas a revistas de terror tipo Más Allá  y tal te lo llevas de calle. Vas a romper la pana.
Pero, claro, tienes dudas. No te preocupes, se contesta a todas:
FAQs PARA AGOBIADOS
1) Vale, vale, pero… ¿y si voy de hamaquero y  llueve?
Bueno, debería decirte que aquí no llueve, coño que manía, caen unas gotas y tal. Pero mira: existen unas estructuras  increíbles llamadas “hórreos” y también “cabazos”. Las hay a miles y no tienen más función útil actual que esperarte. Dormir en un hórreo es una experiencia única, sobre todo si hay luna y vas con pareja o parejo. También hay otro invento que se llama “atrios de las iglesias”, son fantásticos, palabrita. Y el colmo del disfrute es encontrar un “galpón” (en gallego técnico: “jalpón”) también los hay a miles.  Así que relájate.
2) Ya, ya pero… ¿y para lavarme?
Mira neno, en Galicia tenemos otros artefactos naturales llamados “ríos”, los hay a miles y todos, absolutamente todos, tienen unos complementos, también naturales, llamados “pozas”.  Te puedes meter ahí incluso en pelotas, recuerda que navegas por un Camino desierto. Luego das el grito de Tarzán y tal, tiras del maravilloso y plurifuncional jabón “Lagarto” y a otra cosa. Cuando te hayas bañado en una poza (que será también exclusiva para ti) no querrás otra cosa, te lo aseguro.
3) Ya estoy casi convencido pero… dormir sólo por la noche en un bosque gallego… ¿y si aparece la Santa Compaña?, ¿y si aparece un lobishome dispuesto a devorarme las partes pudendas?
A ver, rapaz, eres un poco “ripunante”, ¿eh?.  Mira, y no te lo repito, la Santa Compaña somos nosotros, los movedores nocturnos de marcos. No te lo explico en detalle, no lo entenderías, es una cosa tribal de gallegos y tal, tú sólo escucha: nosotros, los movedores nocturnos de marcos, tenemos un acuerdo con Turismo de Galicia (es decir, estamos subvencionados), ellos venden la tontería esa de la Santa Compaña, nosotros movemos los marcos, que es lo nuestro, acompañados de abundante lucería, y todos contentos. Pero no se lo cuentes a nadie. El lobishome es algo parecido: la Dirección Xeral de Turismo convoca todos los años un concurso solapado de hombres lobo (le llaman “oposiciones a enseñanza” ,  “a bedeles” y cosas así) Este año quedó casi desierto, pero salió lobishome un profesor interino de la zona de Abe Nostre (castellano “Ave Nostre”). Es inofensivo, coño, no sabe ni aullar.
4) Bueno, ¿y la credencial?, ¿cómo iría eso?
¿Y para qué coño quieres sellar una credencial?, tú Camino está libre de tales burocracias. Tu credencial es la vieira que cuelga de tu pecho-
5) Y la “Compostelana”.  ¿Me darán la “Compostelana”? Eggggg que…
Neno, ¿tú eres tonto?, ¿quieres que nos llevemos bien?  Joder, qué cruz. Mira, toma nota:  nada de ponerte en la cola interminable de Carretas, y menos aún mentir cómo un bellaco (cómo hace la mayoría), diciendo que has trotado por las trillas por “motivos religiosos”, aparta de ti ese cáliz, recuerda: eres un hombre libre. Así que si tu manía de coleccionista te lleva de cabeza a la papelería o a la burocracia, o bien si en un acto entendible quieres demostrar a tu suegra que estuviste en el Camino y no de julai en Cancún,  fabrícate un diplomilla chachi por internet, es fácil, y será una “Compostela” personalísima, cómo tu Camino, a la par que tabernaria, serás la envidia de los turigrinos todo a cien. A ver, apunta:
“Acredito, doy fe y solemnizo, que Fulanez (aquí tu nombre en latín, que eso mola) ha llegado a la Jerusalén de Occidente DEVOTIS AFECTA LIBÉRRIMA CAUSA , triscando como un gorrión por los montes, chimeneas, tabernas,  caminos y romerías de Galicia, sin renunciar nunca a su Camino y entrando en Compostela en alegre carcajada y echando restallantes cortes de mangas. Lo que firmo y confirmo en Compostela a tal de tal. Aquí debe seguir la firma de tu tabernero compostelano preferido, yo preferiría la de José Luis de Casa Manolo (al fin y al cabo es la catedral civil) o la del Gato Negro o el Negreira, pero allá tú.
……….
¿Lo ves?, ¿se puede? Claro que se puede, faltaría. Otros lo hemos hecho, así que deja de hacer pucheros, sonríe y ponte en Camino. QUE NADIE TE LO ROBE.
From Jakobsland, reluciente en siete soles, José A. de la Riera.

domingo, 18 de junho de 2017

ALERTA VERMELHO

Peregrino, antes de iniciar a tua jornada diária a Caminho de Santiago informa-te perante os bombeiros, Proteção Civil ou forças policiais GNR /PSP se há incêndios activos na zona.

Durante a jornada se sentires cheiro de queimado dirige-te para a casa mais próximo e pede informações. Lembra-te a tua segurança é mais importante!

Em caso de acidente ou emergência médica ligue 112
Em caso de incêndio florestal ligue 117

SIGA OS NOSSOS CONSELHOS:
- Adote medidas preventivas com o intuito de minimizar o impacto do calor;
- Procure ambientes frescos e evite a exposição direta ao sol;
- Evite permanecer dentro de viaturas expostas ao sol;
- Beba água e sumos naturais, evitando o consumo de bebidas alcoólicas.

domingo, 7 de maio de 2017

Albergue de peregrinos em Coimbra duplicou capacidade de alojamento

A Confraria da Rainha Santa Isabel vai inaugurar em Coimbra, no sábado, obras de ampliação do albergue de peregrinos, ainda a tempo de apoiar crentes que rumam a Fátima no âmbito da visita do papa Francisco.
O presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel, António Rebelo, disse hoje à agência Lusa que o albergue "passa a poder alojar 30 peregrinos" por noite, duplicando a capacidade que tinha antes da remodelação.
Tendo beneficiado de "trabalhos mínimos", realizados por voluntários que são membros da instituição, o novo espaço "permitirá acolher reservas antecipadas para os peregrinos de Fátima, tendo em conta as inúmeras solicitações", adiantou.
"O espaço antigo continuará a funcionar segundo as regras e costumes dos albergues de Santiago, isto é, sem reservas antecipadas", acrescentou.
Com este novo serviço aos peregrinos, a funcionar no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, na margem esquerda do rio Mondego, a Confraria da Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra, "aposta um pouco mais numa tradição que já existia na hospedaria", salientou António Rebelo.
Ao mesmo tempo, "pretende corresponder aos propósitos" de Isabel de Aragão, casada com o rei D. Dinis, "que procurava ajudar os peregrinos" que, na Idade Média, cruzavam Coimbra a caminho de Santiago de Compostela, na Galiza (Espanha).
"Queremos facilitar a vida aos peregrinos", tantos aos que vão para Santiago, como aos que se encaminham para Fátima, disse.
António Rebelo realçou ainda que a Confraria da Rainha Santa inaugura a ampliação do albergue uma semana antes da visita do papa Francisco a Fátima, como forma de assinalar, também em Coimbra, aquele que é "um grande momento" para o mundo católico.
A cerimónia realiza-se às 09:00, com a presença do presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro, Pedro Machado.
Francisco visita o santuário de Fátima, nos dias 12 e 13, para canonizar os pastorinhos Francisco e Jacinta, no centenário das aparições de 1917.
O papa tem encontros previstos com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, logo à chegada, e com o primeiro-ministro, António Costa, no dia 13.

Fonte: DN

sábado, 25 de março de 2017

Barcelos: Projecto “Canecas” promove a Inclusão social

O Projeto 'Canecas”, do Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho, foi hoje apresentado na EB 2, 3 Rosa Ramalho, em Barcelinhos, e contou com a presença da Vice-Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Armandina Saleiro. A apresentação começou com a atuação musical da aluna Laura Oliveira, que recentemente ficou apurada para a final do programa televisivo “Got Talent” e com alunos do 9º ano que cantaram o Hino da escola. Os discursos ficaram marcados pelas palavras 'inclusão', 'artesanato' e 'Caminhos de Santiago'.

O 'Canecas' é um projeto interdisciplinar e comunitário que cruza três ideias-chave: a inclusão social, a promoção do artesanato e dos produtos locais e a cooperação com o Caminho de Santiago. No entanto, o principal objetivo passa por proporcionar experiências significativas aos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE), que possam promover a autonomização e o desenvolvimento de competências ligadas ao mundo do trabalho.

Na passagem por Barcelinhos, os caminheiros de Santiago vão poder levar uma recordação única: canecas desenhadas pelos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) do Agrupamento de Escolas Rosa Ramalho. Produzidas no concelho, as peças de cerâmica serão totalmente personalizadas pelos estudantes e posteriormente colocadas nas escolas, à mercê dos caminheiros, todas as manhãs de terça-feira, a partir de abril. Além das canecas, o projeto envolve ainda a produção e a promoção de bolachas, chás, compotas e ervas aromáticas.
O projeto conta com o apoio do Município de Barcelos, da EDP Solidária, entre outros desenvolvendo-se numa lógica de trabalho em rede com múltiplas instituições do domínio educativo.

Fonte: C.M. de Barcelos

Xóan Vásquez Mao: A voz da euro-região é o Eixo Atlântico

P - O que vai ser o congresso do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, que está a ser preparado para 8 e 9 de Junho, em Braga?
R - Em cada dez anos, o Eixo Atlântico faz um congresso. O congresso é um ponto de encontro de toda a comunidade, uns estados gerais para analisar a situação da euro-região Norte de Portugal/Galiza. A cada dez anos, debatemos um documento de planeamento estratégico que sirva para orientar, coordenar e unificar critérios. Levamos dois anos a trabalhar um documento, que é a Agenda Urbana do Eixo Atlântico, muito inovador e com grandes conteúdos.Vamos fazer um debate com os representantes da sociedade, reservando uma parte do congresso para pessoas que queiram inscrever-se, pessoas que não façam parte das instituições tradicionais.

P - Qualquer cidadão da euro-região pode participar nesse congresso?
R - Exactamente. Este é um congresso de debate, não é um congresso informativo. Vamos atrair alguns nomes de referência a nível europeu. Quem quiser participar só tem de inscrever-se na página internet do Eixo Atlântico.

P - A Agenda Urbana aponta a estratégia do Eixo Atlântico para o futuro. Quais são as principais linhas de acção que esta associação de cidades quer desenvolver, tendo em conta que, há dez anos, a realidade era totalmente diferente?
R - Temos muito presente que estamos a sair de uma crise que, na minha opinião, foi a terceira guerra mundial. Reparem que a crise não foi cruel no respeitante ao sangue, mas foi cruel no respeitante às estruturas e às pessoas. Mandou muita gente para o desemprego e gerou uma mudança global da qual temos de retirar a parte positiva.

P - Como é que a nossa euro-região passou por essa ‘terceira guerra mundial’. Empobreceu?
R - É verdade que empobreceu, pelo facto de ser periferia em relação a Lisboa e a Madrid, mas a verdade é que tivemos a força suficiente para podermos sobreviver. A nossa estrutura não ficou destroçada e estamos a ser capazes de a levantar. Temos que perceber que a nossa grande vantagem é o mar. O mar é a nossa principal indústria, é o caminho, é a ambição. Creio que resistimos melhor do que outros.

P - O que é que propõe a Agenda Urbana para a próxima década? Fala-se muito do planeamento das cidades e nova formas de governação...
R - Basicamente, a Agenda Urbana o que pretende é aproveitar este momento de oportunidade. O maior crescimento da Europa registou-se à sua maior crise que foi a 2ª Guerra Mundial. Temos de saber aproveitar esta oportunidade de saída da crise, de deixar de fazer as asneiras que se fizeram e que ainda se fazem. Temos de nos dar conta que a escala mudou. Um facto com a ampliação do canal do Canadá vai mudar radicalmente a escala. Na euro-região apenas seremos capazes de dar resposta a uma parte da procura mundial. Temos de confrontar os nossos portos, de Leixões a Ferrol, de que juntos somos mais competitivos. Não podemos viver com os portos e os aeroportos uns contra os outros. A Agenda Urbana vai um pouco por aí, vai propor um conjunto de alternativas em torno do sistema urbano, procurando tirar proveito da saída da crise e como prevenir nova entrada na crise. Vamos fazer isso de acordo com cinco ópticas. Vamos trabalhar como território organizado, trabalhando em sistema urbano, complementando-nos, não duplicando, não tirando coisas uns aos outros.

P- Há experiências transfronteiriças das euro-cidades com resultados positivos. A crise não serviu para dar mais coesão à euro-região?
R - A crise serviu para nos mostrar o caminho. Não quer dizer que todos os dirigentes sejam capazes de o ver.

P - Recentemente, ao lado de políticos galegos, criticou a falta de uma política de incentivo industrial na Galiza?
R - Em Espanha, não aprendemos com a crise. Continua a corrupção, continua-se a pedir um TGV para cada cidade e a fazerem-se despesas faraónicas. Houve gente que não aprendeu nada com a crise. Não pode haver um TGV entre a Corunha e Lisboa porque temos uma cidade importante a cada 70 quilómetros. Não podemos andar a pedir um TGV, temos de pedir um alfa-pendular moderno e rápido que possa parar em cada cidade. Há um outro sector que está a abrir uma nova guerra com a ideia de uma deslocalização de empresas da Galiza para Portugal. Não há deslocalização. O que acontece é que Portugal é mais atractivo, porque a Galiza não tem uma política industrial. As empresas fortes da Galiza, como a ‘Inditex’, investem em Espanha e em Portugal.

P - A ‘Citroen’ não está a desinvestir em Vigo e a concentrar mais produção em Portugal?
R - Não.Vigo sempre foi a jóia da coroa da ‘Citroen’. Historicamente, Vigo considerou Mangualde com fábrica auxiliar da ‘Citroen’. Agora chegou um português à liderança da empresa que fixou o eixo estratégico Vigo-Mangualde. Isso vai contra Vigo? Não. Isso reforça Vigo e reforça Mangualde.

P - Voltando ao congresso do Eixo Atlântico, falou em cinco temas centrais de debate. Para além do território?
R - O emprego é fulcral. Não o emprego clássico, mas a emergência do empreendedorismo. Se não percebermos que estão a mudar os paradigmas, continuaremos a ter números fracos de emprego. A competitividade, que é o que gere emprego, não se consegue com salários baixos, mas aumentando a inovação. Nunca poderemos competir a nível salarial com a Ásia que não tem direitos sociais, não tem sindicatos, não tem contratos de trabalho. Só podemos competir porque tecnologicamente somos melhores. Há também os desafios da sustentabilidade, da política social e da eficiência da administração, nomeadamente a autárquica. 

P - O que estão a propôr é um nível superior de cooperação, como apontaram, recentemente, o presidente e o vice-presidente do Eixo Atlântico?
R - Não é por acaso que o congresso do Eixo Atlântico se realiza em Braga. O presidente Ricardo Rio envolveu-se muito activamente na Agenda Urbana. Foi um dos seus impulsionadores e ideólogos. Para mim é um presidente extraordinário. Digo sempre que ele fez duas coisas extraordinárias: algo tão básico como pôr as pessoas a falar e fez de Braga uma cidade alegre. Com gente jovem, Braga parecia uma cidade velha e triste.

P - Para a aplicação da Agenda Urbana é necessário que haja um entendimento entre autarcas e entre as administrações regionais?
R - É verdade que há uma assimetria entre o Norte de Portugal e a Galiza, mas também é verdade que há um elemento comum: a necessidade de falarmos entre nós e com o poder central. A nossa estrutura social é a mesma, o que temos é uma diferente configuração do poder. Em Espanha está regionalizado, em Portugal não. A regionalização agiliza muito as coisas e tem a legitimidade dos votos. Mas há coisas mais complicadas: a Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal está morta.

P - Nestes 25 anos, o Eixo Atlântico tem funcionado muito como estrutura de lóbi, de reivindicação de determinadas estruturas e políticas para a euro-região. Poderá assumir outra posição com o esvaziamento da Comunidade de Trabalho?
R - O Eixo Atlântico é uma entidade leal com que é leal. A Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal converteu-se numa instituição transfronteiriça de referência no tempo de Luís Braga da Cruz (n.r. ex-presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte) e Fraga Iribarne (ex-presidente da Junta da Galiza). O Eixo Atlântico constituiu-se para defender os interesses das cidades num novo enquadramento europeu. Recebemos o respeito e o apoio de Braga da Cruz e Fraga Iribarne. Não é por acaso que ambos são medalha de ouro do Eixo Atlântico. Foi pelo trabalho extraordinário que fizeram. Creio que o Norte de Portugal só teve dois líderes: Luís Braga da Cruz e Fernando Gomes (n.r. ex-presidente da Câmara Municipal do Porto). A Galiza só teve um líder: Fraga Iribarne. Eu, ideologicamente, estou nos antípodas de Fraga Iribarne, mas reconheço que ele fez um trabalho extraordinário: colocou a Galiza no mapa. Braga da Cruz e Fraga Iribarne defendiam o mesmo que nós: novas infra-estruturas e a cooperação. Nós, com a força que tínhamos enquanto lóbi de cidades, apoiámo-los. A Comunidade de Trabalho foi caindo, teve alguns picos com Arlindo Cunha e Carlos Lage (n.r. ex-presidentes da Comissão de Coordenação da Região Norte). Na época do anterior presidente, Emídio Gomes, foi um desastre. Na Galiza, passou-se de um Governo com estratégia política para um Governo com muitos conflitos internos. Agora há um Governo estável mas com uma visão muito burocrática e pouco estratégica. A Comunidade de Trabalho foi esmorecendo e nós fomos ocupando esses espaço. A única voz da euro-região somos nós. Quem fala com os empresários e os sindicatos, quem promove estudos, quem defendeu o comboio? Nós. 

P - O Eixo Atlântico é hoje uma associação mais política e mais representativa da euro-região?
R - Nitidamente. Nestes últimos anos ganhámos peso e escala. Hoje, o presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio, junta visão política e conhecimento profundo. Não é um político profissional que caiu na Câmara de Braga porque o seu partido o indicou. É uma pessoa que tem conhecimentos profissionais, nomeadamente a nível da Economia. Tem visão política e estratégica muito fortes. Tem uma visão do mundo, não é uma pessoa que se limita a Braga, que nunca saiu de Braga. Isto permite-nos entrar no século XXI sem deixar de aprender com o melhor que fizemos no século XX. Tenho de o dizer: hoje em dia, o líder da euro-região é o presidente do Eixo Atlântico, é o presidente da Câmara de Braga. 

Também tenho de dizer que tivemos uma grande liderança com o presidente da Câmara de Viana do Castelo. Há uma nova liderança da euro-região que se está construíndo. Não é por acaso que José Maria Costa é o presidente da delegação portuguesa no Comité das Regiões.

P - Em 2018, a presidência do Eixo Atlântico passará para uma autarca galego. Vê políticos galegos capazes de assegurar a continuidade desta liderança?
R - O vice-presidente do Eixo Atlântico, Alfredo García, que é o que tem mais hipóteses de chegar à presidência, de acordo com a cultura existente, é também o presidente da FEGAMP - Federación Galega de Municipios e Provincias. Foi eleito por todos os seus colegas. Isso significa liderança.

P - Quais são os obstáculos que se colocam ao desenvolvimento do Eixo Atlântico? O que é que pode colocar dificuldades no caminho de uma euro-região mais coesa?
R - Não sei se temos encontrado alguma pedra no caminho. Cada vez há mais gente que quer entrar no Eixo Atlântico.Vamos ter o congresso dos 25 anos. No segundo dia do congresso, o primeiro ministro, António Costa, já confirmou que vai entregar as medalhas do Eixo. A nossa presença é forte. A questão é o que pode dificultar a construção da euro-região. Em primeiro lugar, os ciúmes. Também a incompetência política. Os que são politicamente sólidos não andam com ciúmes. A estrutura do Estado deveria modernizar-se. Não pensemos que a regionalização é a solução. Veja-se o que se passa na Catalunha. No caso português, deveria haver uma modernização da estrutura do Estado. Estamos a pedir aos governos de Portugal e Espanha que, na próxima Cimeira Ibérica, que vai ser em Vila Real, a 2 de Maio, se abram os trabalhos para um novo tratado de cooperação. O actual enquadramento jurídico já tem mais de 15 anos e está ultrapassado. Nós estamos numa fronteira muito viva e dinâmica que precisa de um enquadramento mais ágil.

P - Tem sido crítico sobre os resultados das últimas cimeiras ibéricas...
R - Crítico é uma expressão muito generosa. Fui muito crítico. Disse que não serviam para nada! As últimas cimeiras foram lamentáveis! A última, entre Rajoy e Passos Coelho, demorou três horas! Uma cimeira entre Espanha e França dura um dia e meio. Isto quer dizer que Portugal para Espanha não é prioritário. Não há uma visão de conjunto da Península Ibérica. Espanha tem de entender que a sua porta para o Atlântico é Portugal e a Galiza. Isso leva-nos ao grande problema espanhol, que não é uma dicotomia Norte-Sul, é uma dicotomia Atlântico- Mediterrâneo. Espanha aposta no Mediterrâneo, porque aí está muito mais povoada e tem mais deputados. Qualquer dirigente com o mínimo de visão estratégica criaria uma espécie de Benelux. Os portos atlânticos de Espanha são os portugueses. Temos de coordenar as infra-estruturas, o planeamento e as regras de mobilidade. Há uma falta de visão estratégica e isso reflecte-se nas cimeiras ibéricas. O que queremos desta próxima cimeira é que ela seja o pontapé de saída para uma nova época. Há dias, reunimos com a presidente do Parlamento espanhol, que é galega, no âmbito de outra rede de que nós fazemos parte, a Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças, para incentivar a criação de um comissão interparlamentar da Assembleia da República, das Cortes espanholas, dos parlamentos regionais dos quatro territórios que fazem fronteira com Portugal e com deputados europeus. Seria o melhor veículo de lóbi que pode existir para defender as propostas das regiões de fronteira. Outra das questões mais importantes que nunca se quis tratar nas cimeiras ibéricas é a criação de uma figura coordenadora de emergências, uma figura que tenha poder nas estruturas de emergência e salvamento dos dois países.

P - E para a área da Saúde?
R - O tema da Saúde é muito importante, porque podemos prestar mais serviços com menos recursos. Na raia seca estão a fechar centros de saúde e maternidades. Isso acontece nos dois países por falta de população. Vamos fazer um centro de saúde conjunto e diminuir as despesas. Partilhemos os serviços de urgência hospitalar. Vamos fazer sistemas hospitalares com hospitais do Norte de Portugal e da Galiza.

P - Vila Nova de Cerveira e Tomiño já partilham uma piscina e uma escola de música. São ainda situações muito raras...
R- Não de trata só de partilhar equipamentos. No âmbito da Saúde, trata-se também de partilhar conhecimentos. O factor humano é muito importante. Não queremos apenas partilha de equipamentos das câmaras municipais, queremos que os governos planifiquem investimentos. De que serve os presidentes de câmara coordenarem se os governos duplicam equipamentos? Para isso é que devem servir as cimeiras ibéricas, para isso é que deveria servir a Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal.

P - Em 2015, disse que o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) estava abandonado pelos governos de Portugal e Espanha. Ainda mantém essa visão?
R - Não. A minha visão piorou. Tínhamos o INL abandonado pelos governos. O INL estava preparado para 400 investigadores e só tinha 100. Agora temos a versão científica IKEA. Quer dizer: temos um instituto sueco, com um director sueco, com investimento sueco, que não tem nenhum relacionamento com a fronteira, que não tem nenhum relacionamento com as universidades galegas e portuguesas, que trabalha para empresas privadas que pagam os seus serviços. Mudou complemente o paradigma. Eu não considero o INL, de todo, uma entidade de cooperação. O INL foi abandonado pelos governos. Depois, como não havia dinheiro, foi buscar-se investimento privado. Agora, é uma empresa sueca em solo português.

P - A Galiza, que teve um director-geral do INL, não olha para o INL como algo seu?
R - De todo. Receio que tão pouco grande parte de Portugal olhe para o INL como algo seu. A estratégia que se quis traçar inicialmente, algo como ligar a investigação de elite das universidades às empresas, desapareceu completamente. E a vinculação transfronteiriça não existe. Quantos galegos estão no INL? Quantas empresas galegas têm aqui uma grande presença? Seja como for, o INL é uma entidade de investigação importantíssi- ma para a cidade de Braga. Como se a ‘Microsoft’, amanhã, criasse aqui um laboratório.

P - O Eixo Atlântico tem-se destacado também no âmbito cultural e desportivo. Mais recentemente, tem feito lóbi para a promoção do Caminho Português de Santiago de Compostela. Foi um tema também esquecido pelos governos de Portugal e Espanha?
R - O Caminho foi esquecido pelo Governo português. A parte galega do Caminho Português são apenas cem quilómetros. Nós pegámos nessa bandeira. Inicialmente, só algumas associações lutaram. Agora aparece toda a gente. Tudo bem. O nosso objectivo é que, em 2021, o próximo Ano Santo, o Caminho Português esteja ao mesmo nível do Francês. Dentro de um mês apresentaremos um relatório sobre o estado do Caminho Português, ponto por ponto. Encomendámos o relatório ao arquitecto Rui Loza, que foi o coordenador da candidatura do Porto e Património Mundial da Humanidade. Estamos a lutar para que o Governo assuma a candidatura do Caminho Português a Patrimónuo Imaterial da Humanidade.

P - E há vontade política?
R - Não. Com o anterior ministro da Cultura as coisas estavam correndo bem, com o actual não sei se vão. Tenho dificuldade em percebê-lo. Portugal tem de assumir, a nível governamental, que o Caminho Português a Santiago de Compostela é português, não é espanhol. Os Caminhos de Santiago são o primeiro itinerário cultural europeu, com tudo o que isso significa de marketing turístico. Portugal é o único país que ainda não o percebeu. Eu tenho falado com o arcebispo de Braga e acho que a Igreja portuguesa está equivocada ao tentar conflituar o Caminho Português com os caminhos do Santuário de Fátima. São coisas distintas. Insisto: o Caminho Português é um itinerário cultural que vem da Idade Média.

P - E já não é só um itinerário religioso...
R - Exactamente. A maior parte das pessoas que fazem o Caminho Francês vêm da Ásia, nem sequer são católicos. Os caminhos de Fátima estão ligados à Igreja Católica e vêm de uma determinada época, assentes no fervor popular. Não têm de conflituar com o Caminho de Santiago.

P - Não vê, da parte da Igreja Católica, grande vontade em investir no Caminho Português?
R - Por alguma razão, a Igreja Católica está mais apostada na ideia de Fátima. Creio que está equivocada, porque não há que escolher. Temos a imensa sorte de ter duas rotas que mobilizam tanta gente, que põem Portugal no mapa, que vendem turismo.

P - E da parte das câmaras municipais? Há várias rotas do Caminho Português. Já se chegou a algum consenso?
R - Caminho só há um. Temos identificado quatro rotas: Costa, Central, Interior e outra que é o cruzamento por Portugal da Via da Prata, que vem do sul de Espanha. Os únicos que fizeram alguma coisa pelo Caminho Português foram as câmaras municipais, só que o fizeram descordenadamente. A partir daí passaram para uma certa concorrência entre elas que não é positiva. É preciso que se crie um organismo coordenador como o Jacobeu na Galiza. O Jacobeu é a chave do sucesso de Santiago de Compostela, porque aglutina todo o investimento, a publicidade e a sinalética. Criou uma imagem única em todo o mundo.

P - Confia na classificação do Caminho Português como Património Mundial da Humanidade?
R - Completamente convicto que, no momento em que o Governo apresente a candidatura será aprovada. Como pode não ser aprovada, se foi aprovada em Espanha e em França. Estamos a falar do mesmo conceito. Será quase automático. Terá apenas que haver alguns projectos de melhoramento para que a UNESCO aprove.

In: Correio do Minho



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

CAMINHO FRANCÊS: ATENÇÃO

Lembramos todos os peregrinos que, por razões de segurança, foi proibido passar pelos portos de Cize e a colina de Lepoeder (rota de Napoleão) entre Saint Jean Pied de Port e Roncesvalles, até o dia 1 de Março. A alternativa é por Valcarlos.
Ler em: 
http://www.diariodenavarra.es/noticias/navarra/navarra/2016/10/31/restringido_paso_por_primer_tramo_del_camino_santiago_navarra_495674_2061.html

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ALBERGARIA | ALBERGUE DE PEREGRINOS ENCERRADO ATÉ MARÇO

O Albergue de Peregrinos Rainha D. Teresa encerra hoje e volta a abrir as portas no dia 1 de março de 2016. O fecho do equipamento municipal deve-se à descida normal do número de peregrinos no outono e no inverno. A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha aproveita para fazer obras de manutenção e proceder a pequenas reparações no alojamento.

Desde a sua abertura, em abril, o albergue recebeu mais de mil peregrinos. A maioria vem do estrangeiro e, normalmente, percorre o Caminho de Santiago, em direção à Galiza, nos meses mais quentes, entre julho e setembro.

Ao longo dos primeiros oito meses de funcionamento, o Albergue Rainha D. Teresa recebeu 1018 peregrinos de 44 nacionalidades, o que perfaz uma média de 127 por mês. Perto de 88 por cento dirigiam-se a Santiago de Compostela, enquanto dez por cento iam a caminho de Fátima. A grande maioria, 88,3 por cento, seguiam a pé, e, 11,5 por cento, de bicicleta. Há a registar um peregrino que se deslocava em cadeira de rodas.

Perto de 60 por cento dos peregrinos são do género masculino. Quanto às nacionalidades, mais de um terço é oriundo de Itália, Espanha e França, embora tenham também pernoitado peregrinos de destinos mais longínquos como Estados Unidos (56), Canadá (23), Austrália (16) e Japão (8). De Portugal, ficaram alojados no Albergue 96 peregrinos.

O Albergue é explorado pela Via Lusitana, uma associação que se dedica ao auxílio de peregrinos. As pernoitas variam entre os cinco e os vinte euros, mas só podem durar uma noite, não sendo permitidas reservas.

sábado, 17 de outubro de 2015

Un toque de atención a los ‘mercaderes’ de la Ruta Jacobea

<a href="http://www.elcorreodeburgos.com/noticias/burgos/toque-atencion-mercaderes-ruta-jacobea_108994.html"><strong>Un toque de atención a los ‘mercaderes’ de la Ruta Jacobea</strong></a> ( <a href="http://www.elcorreodeburgos.com">El Correo de Burgos</a> - 16/10/2015 )

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Caminho de Santiago recebe peregrinação inter-religiosa

   Mais de 100 católicos, judeus, budistas, muçulmanos e hindus vão percorrer 107 quilómetros do Caminho de Santiago para promover a paz e a justiça social.

   O Caminho de Santiago vai receber a primeira peregrinação inter-religiosa da sua história. A jornada irá decorrer de 30 de agosto a 6 de setembro sob o lema «Um mundo diferente é possível». A peregrinação conta com a participação de mais de 120 fiéis católicos, judeus, budistas, muçulmanos e hindus que irão percorrer 107 quilómetros do chamado Caminho Francês para promover a paz e a justiça social. 
   A jornada será realizada para mostrar à sociedade que «as vidas espirituais são um claro sinal de diálogo, convivência e desenvolvimento, onde as diferentes religiões não se separam, mas se unem», explicam os organizadores, citados pelo portal Zenit. 
   «O objetivo é superar as barreiras dos diferentes credos, ajudar uns aos outros na renovação espiritual e promover uma mensagem de paz e de mudança para um mundo rico e complexo, para que as opções materialistas tanto espirituais como científicas, empresariais, sociais... não prevaleçam sobre as opções mais humanas de solidariedade e respeito», acrescentam.
   Ao longo do percurso vão existir momentos para celebrar, partilhar e refletir. Também haverá espaço para o lazer e para ficar em silêncio, sempre «respeitando os momentos de oração de cada confissão». A primeira peregrinação inter-religiosa é um projeto da Comissão ibérica de diálogo inter-religioso monástico, da Comunidade judia Masorti Bet-El, da Casa Turco-Arco Fórum, da Comunidade budista Dag Shang Kagyu, da Comunidade Baha`i de Espanha, e do Fórum Abraham da Associação hindu Veda Dharma.

Fonte: Fátima Missionária

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Abriu Albergue de Peregrinos em Cernache

Peregrinos de Santiago contam com mais um albergue de portas abertas desta vez em Cernache.
O novo albergue cito à Rua Álvaro Anes, em Cernache, aceita peregrinos do Caminho de Santiago como está a poucos minutos da estrada onde passam diariamente peregrinos em direcção a Fátima.
O albergue recebe-os independentemente do destino que tenham com as devidas limitações.
Com uma capacidade de 14 lugares (em 7 beliches) divididos por 2 quartos e duas casas de banho.
O albergue dispõe ainda de tanque para lavagem de roupa estendais e uma secadora de roupa, frigorífico e Micro ondas.
Só são admitidos ao albergue peregrinos a Santiago e de Fátima
Abertura às 14:00 e Encerra às 22:00
Pagamento: Donativo