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sábado, 25 de março de 2017

Xóan Vásquez Mao: A voz da euro-região é o Eixo Atlântico

P - O que vai ser o congresso do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, que está a ser preparado para 8 e 9 de Junho, em Braga?
R - Em cada dez anos, o Eixo Atlântico faz um congresso. O congresso é um ponto de encontro de toda a comunidade, uns estados gerais para analisar a situação da euro-região Norte de Portugal/Galiza. A cada dez anos, debatemos um documento de planeamento estratégico que sirva para orientar, coordenar e unificar critérios. Levamos dois anos a trabalhar um documento, que é a Agenda Urbana do Eixo Atlântico, muito inovador e com grandes conteúdos.Vamos fazer um debate com os representantes da sociedade, reservando uma parte do congresso para pessoas que queiram inscrever-se, pessoas que não façam parte das instituições tradicionais.

P - Qualquer cidadão da euro-região pode participar nesse congresso?
R - Exactamente. Este é um congresso de debate, não é um congresso informativo. Vamos atrair alguns nomes de referência a nível europeu. Quem quiser participar só tem de inscrever-se na página internet do Eixo Atlântico.

P - A Agenda Urbana aponta a estratégia do Eixo Atlântico para o futuro. Quais são as principais linhas de acção que esta associação de cidades quer desenvolver, tendo em conta que, há dez anos, a realidade era totalmente diferente?
R - Temos muito presente que estamos a sair de uma crise que, na minha opinião, foi a terceira guerra mundial. Reparem que a crise não foi cruel no respeitante ao sangue, mas foi cruel no respeitante às estruturas e às pessoas. Mandou muita gente para o desemprego e gerou uma mudança global da qual temos de retirar a parte positiva.

P - Como é que a nossa euro-região passou por essa ‘terceira guerra mundial’. Empobreceu?
R - É verdade que empobreceu, pelo facto de ser periferia em relação a Lisboa e a Madrid, mas a verdade é que tivemos a força suficiente para podermos sobreviver. A nossa estrutura não ficou destroçada e estamos a ser capazes de a levantar. Temos que perceber que a nossa grande vantagem é o mar. O mar é a nossa principal indústria, é o caminho, é a ambição. Creio que resistimos melhor do que outros.

P - O que é que propõe a Agenda Urbana para a próxima década? Fala-se muito do planeamento das cidades e nova formas de governação...
R - Basicamente, a Agenda Urbana o que pretende é aproveitar este momento de oportunidade. O maior crescimento da Europa registou-se à sua maior crise que foi a 2ª Guerra Mundial. Temos de saber aproveitar esta oportunidade de saída da crise, de deixar de fazer as asneiras que se fizeram e que ainda se fazem. Temos de nos dar conta que a escala mudou. Um facto com a ampliação do canal do Canadá vai mudar radicalmente a escala. Na euro-região apenas seremos capazes de dar resposta a uma parte da procura mundial. Temos de confrontar os nossos portos, de Leixões a Ferrol, de que juntos somos mais competitivos. Não podemos viver com os portos e os aeroportos uns contra os outros. A Agenda Urbana vai um pouco por aí, vai propor um conjunto de alternativas em torno do sistema urbano, procurando tirar proveito da saída da crise e como prevenir nova entrada na crise. Vamos fazer isso de acordo com cinco ópticas. Vamos trabalhar como território organizado, trabalhando em sistema urbano, complementando-nos, não duplicando, não tirando coisas uns aos outros.

P- Há experiências transfronteiriças das euro-cidades com resultados positivos. A crise não serviu para dar mais coesão à euro-região?
R - A crise serviu para nos mostrar o caminho. Não quer dizer que todos os dirigentes sejam capazes de o ver.

P - Recentemente, ao lado de políticos galegos, criticou a falta de uma política de incentivo industrial na Galiza?
R - Em Espanha, não aprendemos com a crise. Continua a corrupção, continua-se a pedir um TGV para cada cidade e a fazerem-se despesas faraónicas. Houve gente que não aprendeu nada com a crise. Não pode haver um TGV entre a Corunha e Lisboa porque temos uma cidade importante a cada 70 quilómetros. Não podemos andar a pedir um TGV, temos de pedir um alfa-pendular moderno e rápido que possa parar em cada cidade. Há um outro sector que está a abrir uma nova guerra com a ideia de uma deslocalização de empresas da Galiza para Portugal. Não há deslocalização. O que acontece é que Portugal é mais atractivo, porque a Galiza não tem uma política industrial. As empresas fortes da Galiza, como a ‘Inditex’, investem em Espanha e em Portugal.

P - A ‘Citroen’ não está a desinvestir em Vigo e a concentrar mais produção em Portugal?
R - Não.Vigo sempre foi a jóia da coroa da ‘Citroen’. Historicamente, Vigo considerou Mangualde com fábrica auxiliar da ‘Citroen’. Agora chegou um português à liderança da empresa que fixou o eixo estratégico Vigo-Mangualde. Isso vai contra Vigo? Não. Isso reforça Vigo e reforça Mangualde.

P - Voltando ao congresso do Eixo Atlântico, falou em cinco temas centrais de debate. Para além do território?
R - O emprego é fulcral. Não o emprego clássico, mas a emergência do empreendedorismo. Se não percebermos que estão a mudar os paradigmas, continuaremos a ter números fracos de emprego. A competitividade, que é o que gere emprego, não se consegue com salários baixos, mas aumentando a inovação. Nunca poderemos competir a nível salarial com a Ásia que não tem direitos sociais, não tem sindicatos, não tem contratos de trabalho. Só podemos competir porque tecnologicamente somos melhores. Há também os desafios da sustentabilidade, da política social e da eficiência da administração, nomeadamente a autárquica. 

P - O que estão a propôr é um nível superior de cooperação, como apontaram, recentemente, o presidente e o vice-presidente do Eixo Atlântico?
R - Não é por acaso que o congresso do Eixo Atlântico se realiza em Braga. O presidente Ricardo Rio envolveu-se muito activamente na Agenda Urbana. Foi um dos seus impulsionadores e ideólogos. Para mim é um presidente extraordinário. Digo sempre que ele fez duas coisas extraordinárias: algo tão básico como pôr as pessoas a falar e fez de Braga uma cidade alegre. Com gente jovem, Braga parecia uma cidade velha e triste.

P - Para a aplicação da Agenda Urbana é necessário que haja um entendimento entre autarcas e entre as administrações regionais?
R - É verdade que há uma assimetria entre o Norte de Portugal e a Galiza, mas também é verdade que há um elemento comum: a necessidade de falarmos entre nós e com o poder central. A nossa estrutura social é a mesma, o que temos é uma diferente configuração do poder. Em Espanha está regionalizado, em Portugal não. A regionalização agiliza muito as coisas e tem a legitimidade dos votos. Mas há coisas mais complicadas: a Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal está morta.

P - Nestes 25 anos, o Eixo Atlântico tem funcionado muito como estrutura de lóbi, de reivindicação de determinadas estruturas e políticas para a euro-região. Poderá assumir outra posição com o esvaziamento da Comunidade de Trabalho?
R - O Eixo Atlântico é uma entidade leal com que é leal. A Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal converteu-se numa instituição transfronteiriça de referência no tempo de Luís Braga da Cruz (n.r. ex-presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte) e Fraga Iribarne (ex-presidente da Junta da Galiza). O Eixo Atlântico constituiu-se para defender os interesses das cidades num novo enquadramento europeu. Recebemos o respeito e o apoio de Braga da Cruz e Fraga Iribarne. Não é por acaso que ambos são medalha de ouro do Eixo Atlântico. Foi pelo trabalho extraordinário que fizeram. Creio que o Norte de Portugal só teve dois líderes: Luís Braga da Cruz e Fernando Gomes (n.r. ex-presidente da Câmara Municipal do Porto). A Galiza só teve um líder: Fraga Iribarne. Eu, ideologicamente, estou nos antípodas de Fraga Iribarne, mas reconheço que ele fez um trabalho extraordinário: colocou a Galiza no mapa. Braga da Cruz e Fraga Iribarne defendiam o mesmo que nós: novas infra-estruturas e a cooperação. Nós, com a força que tínhamos enquanto lóbi de cidades, apoiámo-los. A Comunidade de Trabalho foi caindo, teve alguns picos com Arlindo Cunha e Carlos Lage (n.r. ex-presidentes da Comissão de Coordenação da Região Norte). Na época do anterior presidente, Emídio Gomes, foi um desastre. Na Galiza, passou-se de um Governo com estratégia política para um Governo com muitos conflitos internos. Agora há um Governo estável mas com uma visão muito burocrática e pouco estratégica. A Comunidade de Trabalho foi esmorecendo e nós fomos ocupando esses espaço. A única voz da euro-região somos nós. Quem fala com os empresários e os sindicatos, quem promove estudos, quem defendeu o comboio? Nós. 

P - O Eixo Atlântico é hoje uma associação mais política e mais representativa da euro-região?
R - Nitidamente. Nestes últimos anos ganhámos peso e escala. Hoje, o presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio, junta visão política e conhecimento profundo. Não é um político profissional que caiu na Câmara de Braga porque o seu partido o indicou. É uma pessoa que tem conhecimentos profissionais, nomeadamente a nível da Economia. Tem visão política e estratégica muito fortes. Tem uma visão do mundo, não é uma pessoa que se limita a Braga, que nunca saiu de Braga. Isto permite-nos entrar no século XXI sem deixar de aprender com o melhor que fizemos no século XX. Tenho de o dizer: hoje em dia, o líder da euro-região é o presidente do Eixo Atlântico, é o presidente da Câmara de Braga. 

Também tenho de dizer que tivemos uma grande liderança com o presidente da Câmara de Viana do Castelo. Há uma nova liderança da euro-região que se está construíndo. Não é por acaso que José Maria Costa é o presidente da delegação portuguesa no Comité das Regiões.

P - Em 2018, a presidência do Eixo Atlântico passará para uma autarca galego. Vê políticos galegos capazes de assegurar a continuidade desta liderança?
R - O vice-presidente do Eixo Atlântico, Alfredo García, que é o que tem mais hipóteses de chegar à presidência, de acordo com a cultura existente, é também o presidente da FEGAMP - Federación Galega de Municipios e Provincias. Foi eleito por todos os seus colegas. Isso significa liderança.

P - Quais são os obstáculos que se colocam ao desenvolvimento do Eixo Atlântico? O que é que pode colocar dificuldades no caminho de uma euro-região mais coesa?
R - Não sei se temos encontrado alguma pedra no caminho. Cada vez há mais gente que quer entrar no Eixo Atlântico.Vamos ter o congresso dos 25 anos. No segundo dia do congresso, o primeiro ministro, António Costa, já confirmou que vai entregar as medalhas do Eixo. A nossa presença é forte. A questão é o que pode dificultar a construção da euro-região. Em primeiro lugar, os ciúmes. Também a incompetência política. Os que são politicamente sólidos não andam com ciúmes. A estrutura do Estado deveria modernizar-se. Não pensemos que a regionalização é a solução. Veja-se o que se passa na Catalunha. No caso português, deveria haver uma modernização da estrutura do Estado. Estamos a pedir aos governos de Portugal e Espanha que, na próxima Cimeira Ibérica, que vai ser em Vila Real, a 2 de Maio, se abram os trabalhos para um novo tratado de cooperação. O actual enquadramento jurídico já tem mais de 15 anos e está ultrapassado. Nós estamos numa fronteira muito viva e dinâmica que precisa de um enquadramento mais ágil.

P - Tem sido crítico sobre os resultados das últimas cimeiras ibéricas...
R - Crítico é uma expressão muito generosa. Fui muito crítico. Disse que não serviam para nada! As últimas cimeiras foram lamentáveis! A última, entre Rajoy e Passos Coelho, demorou três horas! Uma cimeira entre Espanha e França dura um dia e meio. Isto quer dizer que Portugal para Espanha não é prioritário. Não há uma visão de conjunto da Península Ibérica. Espanha tem de entender que a sua porta para o Atlântico é Portugal e a Galiza. Isso leva-nos ao grande problema espanhol, que não é uma dicotomia Norte-Sul, é uma dicotomia Atlântico- Mediterrâneo. Espanha aposta no Mediterrâneo, porque aí está muito mais povoada e tem mais deputados. Qualquer dirigente com o mínimo de visão estratégica criaria uma espécie de Benelux. Os portos atlânticos de Espanha são os portugueses. Temos de coordenar as infra-estruturas, o planeamento e as regras de mobilidade. Há uma falta de visão estratégica e isso reflecte-se nas cimeiras ibéricas. O que queremos desta próxima cimeira é que ela seja o pontapé de saída para uma nova época. Há dias, reunimos com a presidente do Parlamento espanhol, que é galega, no âmbito de outra rede de que nós fazemos parte, a Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças, para incentivar a criação de um comissão interparlamentar da Assembleia da República, das Cortes espanholas, dos parlamentos regionais dos quatro territórios que fazem fronteira com Portugal e com deputados europeus. Seria o melhor veículo de lóbi que pode existir para defender as propostas das regiões de fronteira. Outra das questões mais importantes que nunca se quis tratar nas cimeiras ibéricas é a criação de uma figura coordenadora de emergências, uma figura que tenha poder nas estruturas de emergência e salvamento dos dois países.

P - E para a área da Saúde?
R - O tema da Saúde é muito importante, porque podemos prestar mais serviços com menos recursos. Na raia seca estão a fechar centros de saúde e maternidades. Isso acontece nos dois países por falta de população. Vamos fazer um centro de saúde conjunto e diminuir as despesas. Partilhemos os serviços de urgência hospitalar. Vamos fazer sistemas hospitalares com hospitais do Norte de Portugal e da Galiza.

P - Vila Nova de Cerveira e Tomiño já partilham uma piscina e uma escola de música. São ainda situações muito raras...
R- Não de trata só de partilhar equipamentos. No âmbito da Saúde, trata-se também de partilhar conhecimentos. O factor humano é muito importante. Não queremos apenas partilha de equipamentos das câmaras municipais, queremos que os governos planifiquem investimentos. De que serve os presidentes de câmara coordenarem se os governos duplicam equipamentos? Para isso é que devem servir as cimeiras ibéricas, para isso é que deveria servir a Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal.

P - Em 2015, disse que o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) estava abandonado pelos governos de Portugal e Espanha. Ainda mantém essa visão?
R - Não. A minha visão piorou. Tínhamos o INL abandonado pelos governos. O INL estava preparado para 400 investigadores e só tinha 100. Agora temos a versão científica IKEA. Quer dizer: temos um instituto sueco, com um director sueco, com investimento sueco, que não tem nenhum relacionamento com a fronteira, que não tem nenhum relacionamento com as universidades galegas e portuguesas, que trabalha para empresas privadas que pagam os seus serviços. Mudou complemente o paradigma. Eu não considero o INL, de todo, uma entidade de cooperação. O INL foi abandonado pelos governos. Depois, como não havia dinheiro, foi buscar-se investimento privado. Agora, é uma empresa sueca em solo português.

P - A Galiza, que teve um director-geral do INL, não olha para o INL como algo seu?
R - De todo. Receio que tão pouco grande parte de Portugal olhe para o INL como algo seu. A estratégia que se quis traçar inicialmente, algo como ligar a investigação de elite das universidades às empresas, desapareceu completamente. E a vinculação transfronteiriça não existe. Quantos galegos estão no INL? Quantas empresas galegas têm aqui uma grande presença? Seja como for, o INL é uma entidade de investigação importantíssi- ma para a cidade de Braga. Como se a ‘Microsoft’, amanhã, criasse aqui um laboratório.

P - O Eixo Atlântico tem-se destacado também no âmbito cultural e desportivo. Mais recentemente, tem feito lóbi para a promoção do Caminho Português de Santiago de Compostela. Foi um tema também esquecido pelos governos de Portugal e Espanha?
R - O Caminho foi esquecido pelo Governo português. A parte galega do Caminho Português são apenas cem quilómetros. Nós pegámos nessa bandeira. Inicialmente, só algumas associações lutaram. Agora aparece toda a gente. Tudo bem. O nosso objectivo é que, em 2021, o próximo Ano Santo, o Caminho Português esteja ao mesmo nível do Francês. Dentro de um mês apresentaremos um relatório sobre o estado do Caminho Português, ponto por ponto. Encomendámos o relatório ao arquitecto Rui Loza, que foi o coordenador da candidatura do Porto e Património Mundial da Humanidade. Estamos a lutar para que o Governo assuma a candidatura do Caminho Português a Patrimónuo Imaterial da Humanidade.

P - E há vontade política?
R - Não. Com o anterior ministro da Cultura as coisas estavam correndo bem, com o actual não sei se vão. Tenho dificuldade em percebê-lo. Portugal tem de assumir, a nível governamental, que o Caminho Português a Santiago de Compostela é português, não é espanhol. Os Caminhos de Santiago são o primeiro itinerário cultural europeu, com tudo o que isso significa de marketing turístico. Portugal é o único país que ainda não o percebeu. Eu tenho falado com o arcebispo de Braga e acho que a Igreja portuguesa está equivocada ao tentar conflituar o Caminho Português com os caminhos do Santuário de Fátima. São coisas distintas. Insisto: o Caminho Português é um itinerário cultural que vem da Idade Média.

P - E já não é só um itinerário religioso...
R - Exactamente. A maior parte das pessoas que fazem o Caminho Francês vêm da Ásia, nem sequer são católicos. Os caminhos de Fátima estão ligados à Igreja Católica e vêm de uma determinada época, assentes no fervor popular. Não têm de conflituar com o Caminho de Santiago.

P - Não vê, da parte da Igreja Católica, grande vontade em investir no Caminho Português?
R - Por alguma razão, a Igreja Católica está mais apostada na ideia de Fátima. Creio que está equivocada, porque não há que escolher. Temos a imensa sorte de ter duas rotas que mobilizam tanta gente, que põem Portugal no mapa, que vendem turismo.

P - E da parte das câmaras municipais? Há várias rotas do Caminho Português. Já se chegou a algum consenso?
R - Caminho só há um. Temos identificado quatro rotas: Costa, Central, Interior e outra que é o cruzamento por Portugal da Via da Prata, que vem do sul de Espanha. Os únicos que fizeram alguma coisa pelo Caminho Português foram as câmaras municipais, só que o fizeram descordenadamente. A partir daí passaram para uma certa concorrência entre elas que não é positiva. É preciso que se crie um organismo coordenador como o Jacobeu na Galiza. O Jacobeu é a chave do sucesso de Santiago de Compostela, porque aglutina todo o investimento, a publicidade e a sinalética. Criou uma imagem única em todo o mundo.

P - Confia na classificação do Caminho Português como Património Mundial da Humanidade?
R - Completamente convicto que, no momento em que o Governo apresente a candidatura será aprovada. Como pode não ser aprovada, se foi aprovada em Espanha e em França. Estamos a falar do mesmo conceito. Será quase automático. Terá apenas que haver alguns projectos de melhoramento para que a UNESCO aprove.

In: Correio do Minho



domingo, 8 de fevereiro de 2015

Abriu Albergue de Peregrinos em Cernache

Peregrinos de Santiago contam com mais um albergue de portas abertas desta vez em Cernache.
O novo albergue cito à Rua Álvaro Anes, em Cernache, aceita peregrinos do Caminho de Santiago como está a poucos minutos da estrada onde passam diariamente peregrinos em direcção a Fátima.
O albergue recebe-os independentemente do destino que tenham com as devidas limitações.
Com uma capacidade de 14 lugares (em 7 beliches) divididos por 2 quartos e duas casas de banho.
O albergue dispõe ainda de tanque para lavagem de roupa estendais e uma secadora de roupa, frigorífico e Micro ondas.
Só são admitidos ao albergue peregrinos a Santiago e de Fátima
Abertura às 14:00 e Encerra às 22:00
Pagamento: Donativo


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

VIII LECCIONES JACOBEAS INTERNACIONALES DE LA USC

BORRADOR DEL PROGRAMA
VIII LECCIONES JACOBEAS INTERNACIONALES DE LA USC:
SANTOS EN LOS CAMINOS 
CURSO DE VERANO DE LA USC


20-23 JULIO DE 2015

Organigrama
Directores: Domingo González Lopo / Miguel Taín Guzmán
Secretaria: Paula Pita Galán
Información: secretaria.leccionesjacobeas@gmail.com
Patrocinadores:
Universidad de Santiago de Compostela (USC)
SA de Xestion do Plan Xacobeo
Xunta de Galicia

Colaboradores
Fundación Catedral de Santiago
Cabildo de la S.A.M.I. Catedral de Santiago
Museo das Peregrinacións e de Santiago
Seminario Mayor Compostelano
Franciscanos OFM Santiago
Fraternidad Internacional del Camino de Santiago “Sempre no Camiño”
Asociación de Empresas y Profesionales de la Conservación y la
Restauración de Bienes Culturales de Galicia (CRG)

Fecha de celebración: 20-23 de julio de 2015

Duración: 30 horas.

Lugar de celebración: Paraninfo de la Facultad de Geografía e Historia de la Universidad de Santiago de Compostela.

Tipo de alumnado al que se dirigen: toda la comunidad universitaria gallega, española, europea e internacional (alumnos de grados y licenciaturas), docentes de Primaria y Secundaria, así como cualquier tipo de público en general, de cualquier edad y condición, interesado en la temática jacobea.

Plazas: 100.

Precio de inscripción: 120 € tarifa general.70 € tarifa reducida para estudiantes universitarios de cualquier universidad y de FP, pensionistas, personas desempleadas, PDI y PAS de la USC.

Plazo de inscripción: hasta diez días antes de la celebración del curso (según la normativa de los Cursos de Verán de la USC).

Información e inscripción: pendiente del plazo de la USC.

Las ponencias de las Lecciones serán en español o con traducción consecutiva al español en caso de ponentes extranjeros. Tienen el valor de 2 créditos ECTS para todos los grados de la USC. Igualmente están reconocidas como "actividad formativa para profesores no universitarios" por la Xunta de Galicia (pendiente de concesión) y como “actividad formativa” para el alumnado del doctorado de la Facultad de Geografía e Historia (pendiente de concesión).
A los alumnos que deseen obtener el crédito se les permitirá faltar hasta un 10% de las horas del curso por causa justificada.

Objetivo:
Las Lecciones Jacobeas constituyen un Curso de Verano de la USC de rango internacional y periodicidad anual. En ellas intervienen cada año diferentes profesores de la propia USC así como especialistas y jóvenes
investigadores de universidades, centros e institutos de investigación de ámbito gallego, nacional e internacional, que exponen a los estudiantes y otros interesados las últimas investigaciones sobre el tema. En el curso prima la transversalidad, la multidisciplinariedad y la tolerancia a los diversos puntos de vista sobre la cuestión jacobea. Al respecto, son ilustrativos los nombres de los profesionales que ya han presentado sus
trabajos en las diferentes ediciones de las Lecciones desde el año 2007 donde han participado historiadores (José Andrade, Vicenza Maria Berardi, Xavier Castro Pérez, Domingo González Lopo, Klaus Herbers, Fernando López Alsina, Roberto López López, Arlindo de Magalhaes, Eduardo Pardo de Guevara y Valdés, Robert Plötz, Ofelia Rey Castelao, Adeline Rucquoi, Xosé M. Sánchez Sánchez, Ramón Villares), historiadores del arte (Maria Grazia D’Amelio, Rosanna Bianco, Miguel Ángel Castillo Oreja, Manuel Castiñeiras, José Manuel García Iglesias, Mariny Guttilla, Juan María Montijano García, Alfredo Morales, Bernd Nicolai, Alfredo Vigo, Gehrard Wolf y Anke Wunderwald), geógrafos (Marcos Valcárcel), botánicos (Jesús Izco Sevillano), musicólogos (Carlos Villanueva), historiadores del Cine (Ángel Luis Hueso), conservadores (Humbert Jacomet), arquitectos (Annette Muenchmeyer; Ángel Panero Pardo, Klaus
Rheidt, Corina Rohn, Antonio de Vega), filólogos (Paolo Caucci, Javier Gómez Montero, Santiago López Martínez-Moras, Xosé Antonio Souto Cabo), abogados (Corriente Córdoba, Antonio Roma, Álvaro García Ortiz), técnicos en turismo (Xosé Santos), directores de Museos (Ramón Yzquierdo Peiró, director del Museo catedralicio, y Bieito Pérez Outeiriño, director del Museo de las Peregrinaciones), miembros de asociaciones jacobeas (Clinete Lacativa, Antón Pombo, Carmen Pugliese, José Antonio de la Riera), restauradores (Concha Cirujano y Xosé Aguiño); entre otros muchos; así como técnicos del Xacobeo (Manuel Garrido, Manuel Rodríguez Fernández y Francisco Singul).

La periodicidad anual del curso permite establecer una comunicación directa entre los estudiosos jacobeos y el alumnado universitario y público interesado, lo cual ya se está reflejando en la creación de nuevas líneas de investigación dentro de la USC.

* * *

PROGRAMA

20 DE JULIO (lunes)

9h. Inauguración por el rector de la USC, autoridades y directores del curso.

SECCIÓN 1: 2015 AÑO TERESIANO / SANTOS EN LOS CAMINOS

9,30h.-11h. Conferencia inaugural: Ofelia Rey Castelao (Catedrática de Historia Moderna de la USC): Santiago y la nueva santa: debates en torno al copatronato de Santa Teresa de Jesús.

Descriptor: En 1617, en 1626 y en 1812, Teresa de Avila -beatificada en 1614 y canonizada en 1622 -fue declarada "Patrona de España", tres ocasiones que duraron poco pero en las que se perjudicó al patronato tradicional del Apóstol Santiago: intensos debates en los que participaron figuras como el escritor Quevedo, rodearon esos cambios en el patronato y generaron polémicas de un enorme interés.

11h.-12,30h. Miguel Ángel González (Canónigo Archivero de la Catedral de Ourense): San Famiano. Un santo cisterciense entre la peregrinación y el eremitismo.
Descriptor: Gerardo (alias Famiano) orienta su vida de espiritualidad por los caminos que conducen a los grandes lugares de peregrinación medieval y una clara vocación eremítica que sugestivamente se hermanan y se complementan. La venida a Santiago le relaciona con el mundo cisterciense y le aquieta un tiempo como monje de Oseira para luego partir hacia Roma y allí en Gallese culmina su vida y comienza su fama de santidad taumatúrgica, que Oseira recuperará en el siglo XVII con voluntad de llenar el hueco de no tener santos oficiales, su iconografía como monje cisterciense-peregrino, encaja perfectamente en la promoción del monasterio que es paso de peregrinos. Tras los silencios desamortizadores la recuperación contemporánea de los caminos pone de relieve la figura de Famiano como patrón de peregrinos.

12.30 h.-14 h. Nicoletta Baldini (Università Bocconi, Milano): La peregrinación a La Verna. Las familias florentinas y la devoción a San Francisco entre los siglos XV y XVI.
Descriptor: a partir de 1432 el potente gremio del Arte de la Lana, por encargo del Ayuntamiento de Florencia, se convierte en el protector del Convento de La Verna. Tal hecho favorece una fuerte vinculación de las familias florentinas ligadas a esta corporación y a los Medici con el santuario. Una relación que se manifestó claramente con la peregrinación al santuario alvernino y también con el encargo de obras de arte de gran importancia a Andrea della Robbia y su taller.

16h.-19h. Visita cultural en grupos al patrimonio de la ciudad (según plazas y previa inscripción el primer día del curso):
-Año Teresiano: visita al Convento del Carmen. Ponente: María Jove Moreno.
-Las murallas de la ciudad. Ponente: Javier Raposo Martínez.


21 DE JULIO (martes)

SEECIÓN 2: ICONOGRAFÍA JACOBEA

9,30h.-11h. Bárbara E. Preuschoff (Directora de la revista "STERNENWEG" de la Deutsche St. Jakobus-Gesellschaft e. V.):
Iconografía jacobea en Alemania. Particularidades y curiosidades.
Descriptor: estudio de los ciclos iconográficos jacobeos sitos en iglesias y capillas de los caminos de peregrinación que atraviesan Alemania, así como en colecciones museísticas.

11h.-12,30h. Javier Gómez Darriba (Licenciado en Historia del Arte de la USC): Iconografía jacobea en Sevilla. Particularidades y curiosidades.
Descriptor: estudio de la iconografía de Santiago el Mayor en la ciudad de Sevilla y su provincia. Análisis del culto jacobeo en dicho territorio en hermandades, parroquias e influencia de la Orden militar de Santiago.

12.30 h.-14 h. Massimiliano Marafon (Ricercatore de la Universidad de Palermo): Caltagirone: iconografía, reliquias y fiestas en honor del Apóstol.
Descriptor: Santiago de Compostela es el santo patrón de la villa de Caltagirone desde el año 1109 cuando era gobernada por Ruggero d’Altavilla, Gran Conde de Sicilia. La estatua del santo, que todavía hoy desfila en procesión durante la fiesta del 25 de julio fue realizada a finales el siglo XIV por un artista de Catania, mientras que el baldaquino que la acoge fue realizado después. Hoy el culto está todavía vivo y atrae visitantes de toda la isla confirmando la popularidad del culto jacobeo en el mundo.

16h.-19h. Visita a las excavaciones arqueológicas de la Catedral de Santiago y a las colecciones del Museo de las Peregrinaciones (según plazas y previa inscripción el primer día del curso).


22 DE JULIO (miércoles)
SECCIÓN 3-ÚLTIMAS INVESTIGACIONES JACOBEAS

9,30h.-11h. Klaus Rheidt (Catedrático de Historia de la Arquitectura de la Universidad de Bardemburgo-Cottbus) y Bern Nicolai (Catedrático de Historia del Arte Medieval de la Universidad de Berna): La historia constructiva de la Catedral de Santiago: nuevas perspectivas e investigaciones. Pendiente de confirmación Descriptor: presentación de las conclusiones del libro Santiago und die Pilgerstrassen. Die schriftlichen und baulichen Zeugnisse im neuen Fokus / Santiago y los caminos de peregrinación. Construcciones y testimonios escritos desde una nueva perspectiva (Berna, 2015) coordinado por ambos profesores.

11h.-12,30h. José Suárez Otero (Independent researcher): La tumba del Apóstol Santiago. Reconstrucción del edificio y valoración histórica.
Descriptor: ponencia sobre las conclusiones de la tesis doctoral del autor sobre el mausoleo apostólico romano de la Catedral de Santiago.

12.30h.-14 h. Marco Piccat (Catedrático de Filología y Lingüística Romance de la Universidad de Trieste): Pícaros y conversos en el camino.
Descriptor: ponencia sobre sus investigaciones sobre la picaresca en el camino de Santiago y su uso por pretendidos conversos, objeto de sus últimas publicaciones.

16h.-19 h. Visita a la exposición sobre el Camino de Santiago en la Ciudad de la Cultura.


23 DE JULIO (jueves)
SECCIÓN 4-“ANDAINA” POR EL CAMINO

10h.-18h. “Andaina” del tramo del Camino Allariz – Santuario de Santa Mariña de Augas Santas, conociendo el patrimonio jacobeo, leyendas y parajes naturales, guiados por la Fraternidad Internacional del Camino de Santiago (FICS) y acompañados por técnicos del Xacobeo, profesores de la USC y ponentes de las Lecciones. Nivel de dificultad baja.
Por la tarde visitaremos el casco histórico de Allariz.

Salida de autobuses de la Plaza de Galicia.
* * *

Se recomienda a los asistentes permanecer en Santiago los días 24 y 25 de julio para asistir a las Fiestas del Apóstol y al espectáculo de los Fuegos en la Plaza del Obradoiro.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

CAMPAMENTO PEREGRINO ARRIERO 2014


Mais uma vez este ano de 2014, as rodas dos carros peregrinos nos levam por TIERRAS DE GALICIA.
José Antonio de la Riera e José Antonio Quintas desde a Fraternidad Internacional del Camino de Santiago, estão a organizar um grande itinerário para que disfrutemos da Galicia, seus Caminos e suas Gentes.

CAMPAMENTO PEREGRINO ARRIERO 2014
Siguiendo los pasos de la predicación del Apóstol

Data: de 4 a 9 de Agosto de 2014

Itinerário:
Muxía - Dumbría - Negreira - Santiago de Compostela - Ames - Mazaricos - Padrón.

Pernoitas:
Dormiremos em pavilhões polidesportivos ou similares, teremos que levar saco de dormir e colchonete.
Alimentação:
A equipa da cozinha, preparará os pequenos almoços, almoço e jantar.
Custo:
até aos 20 años: 175 euros
+ de 21 anos: 300 euros
(não inclui transporte até ao início da peregrinação e o regresso uma vez finalizado)

sábado, 7 de junho de 2014

Feira sinaliza Caminho de Santiago

A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira sinalizou o Caminho Português de Santiago no Concelho e vai realizar uma caminhada inaugural no dia 15 de junho. Cerca de 60 azulejos, isolados ou afixados em marcos, identificam este percurso pedestre, de cerca de 17 quilómetros, que atravessa sete freguesias do território feirense e sinaliza quatro postos oficiais de carimbo.

O Caminho de Santiago estende-se pelas freguesias de Arrifana, Escapães, S. João de Ver, Fiães, Lourosa, Mozelos e Nogueira da Regedoura. A sinalética agora afixada destina-se aos peregrinos que se deslocam a pé, a cavalo ou de bicicleta, num itinerário de peregrinação a Santiago de Compostela. Os Bombeiros Voluntários de Arrifana, o Posto de Turismo de Santa Maria da Feira, o Hotel Pedra Bela e os Bombeiros Voluntários de Lourosa são os quatro postos oficiais de carimbo onde os peregrinos podem carimbar as suas cadernetas.
“A Câmara Municipal pretende proporcionar a orientação dos peregrinos em segurança, permitindo que conheçam e desfrutem da nossa história local, dos nossos atrativos turísticos e hospitalidade”, refere Gil Ferreira, vereador da Cultura, Turismo, Biblioteca e Museus.
Além dos mapas com informação sobre o percurso no Concelho, afixados no mobiliário urbano e abrigos das paragens de autocarro, será disponibilizado, numa primeira fase nos quatro postos oficiais de carimbo, um desdobrável com informações úteis e informação turística.
“Estamos a desenvolver um projeto centrado no ‘menu do peregrino’ que se pretende desenvolver em parceria com a restauração local, de forma a potenciar a gastronomia da região e a proporcionar um prato dedicado ao peregrino”, adianta Gil Ferreira.

Até 11 de junho, inscrições para caminhada
A caminhada inaugural do Caminho Português de Santiago em Santa Maria da Feira tem início marcado para as 9h00, no Largo Manuel Eduardo Rebelo (junto ao Monumento das Invasões Francesas, na Avenida da Buciqueira), em Arrifana, e termina na Rua da Castanheira, em Nogueira da Regedoura. A organização assegura transporte para o regresso.
As inscrições encontram-se abertas até 11 de junho, no balcão de apoio da loja Continente de Santa Maria da Feira. Para inscrever-se basta adquirir compras no valor de dois euros em produtos não perecíveis da marca Continente, que reverterão a favor do Mercado da Solidariedade de Santa Maria da Feira. A todos os inscritos será oferecida uma t-shirt Continente, uma garrafa de água, uma barrita energética e uma peça de fruta. No final da caminhada recebem diplomas de participação.

sábado, 29 de março de 2014

FICS - Fraternidad Internacional del Camino de Santiago

Passadas três décadas do renascimento das peregrinações jacobeas e tendo em conta que em 2014 se cumprem vinte cinco anos do falecimento do grande impulsor deste renascimento, o pároco de O Cebreiro, Elías Valiña, o estado actual das peregrinações a Santiago e do próprio Caminho suscitam uma reflexão que deve pressupor, forçosamente, um ponto de encontro tanto para todos os que durante estos anos trabalharam com entusiasmo a favor da peregrinação e do próprio Caminho em todas as suas vertentes como para todos aqueles que a cada dia se aproximam com ilusão a essa meta sagrada que nos chegou da história.

Os valores actuais do Caminho de Santiago, universalmente aceites, formam um legado único que é obrigação transmitir ao futuro: Espiritualidade, fraternidade, solidariedade, hospitalidade, busca, conhecimento, respeito e liberdade. Através dos itinerários jacobeos se manifesta o melhor do ser humano, fluindo desde todos os cantos do mundo até Compostela, a tumba apostólica que o imaginário medieval situou no confim ocidental do mundo. Por outro lado, as rotas históricas persistem rodeadas de um extraordinário património material e imaterial, em grande medida vinculado, ao próprio facto da peregrinação.
Esses valores e esse património, se conjugam hoje em dia numa rota onde a multiculturalidade e a convivência diária em circunstâncias afastadas da sua rotina com gentes dos mais diversos países, raças, crenças e idiomas, em condições de paz, serenidade e reflexão, produzem um enriquecimento pessoal e um enriquecer de experiências impossíveis de conseguir em outros lugares. E assim se forma uma das últimas grandes aventuras que pode viver o ser humano, o Caminho de Santiago, uma viagem interior através de um espaço sagrado milenário cheio de sinais de conhecimento e reconhecimento, uma viagem a Ítaca passando por Esparta, um sonho partilhado por milhões de almas através dos séculos.
Para compartilhar, defender e divulgar estes valores e esse património, o grande legado do Caminho de Santiago, e transmiti-lo nas melhores condições às futuras gerações, e sendo conscientes da universalidade e dimensão internacional do fenómeno jacobeo, gentes de todos os países querem reunir e compartilhar os seus conhecimentos, sua generosidade e o seu altruísmo para, conjuntamente, colocar em marcha um projecto solidário, igualitário e fraterno com os seguintes fins gerais:
  1. Unir numa só voz, livre e independente, todos os que em qualquer país do mundo, estão a trabalhar a favor do Caminho de Santiago e da peregrinação jacobea. A dimensão do fenómeno jacobeo é universal e é por ele que manifestamos a necessidade dessa voz comum, fraterna e solidária.
  2. A consulta, assessoria, ajuda mútua e solidariedade entre todos seus componentes, em qualquer país ou itinerário jacobeo, assim como promover a ajuda, aconselhamento e colaboração com todas aquelas instituições que trabalham a favor do Caminho de Santiago.
  3. A defesa, impulso e divulgação dos valores inerentes ao Caminho de Santiago que nos foram transmitidos através da historia, e também do seu património viário, tanto tangivél como intangível, perante todas as instancias civis e religiosas e, particularmente, a custodia do legado de concórdia, espiritualidade e solidariedade que nos transmitiu o grande impulsor do renascimento das peregrinações, Elías Valiña, pároco de O Cebreiro. Desse legado, e do seu exemplo fecundo, se depreende o nosso lema: “Sempre no Camiño”.
  4. Actuar como foro de debate, opinião e crítica construtiva perante a problemática actual das peregrinações jacobeas.
  5. Promover o estudo, a investigação e a divulgação do Caminho de Santiago em todos os seus aspectos, em qualquer país e em qualquer rota jacobea.
  6. A peregrinação e presença activa nos itinerários jacobeos.
 
 

 

 


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Raio destrói Santuário da Virgem da Barca na Galiza

JN
O Santuário da Virgem da Barca, em Muxia, na Galiza, ficou completamente destruído pelas chamas, depois um transformador elétrico ter sido atingido por um raio, no dia de Natal, tendo incendiado o histórico templo espanhol, referência para quem faz o Caminho de Santiago.
As chamas dentro da igreja começaram, na madrugada do dia de Natal, na sacristia e rapidamente alastraram pelas traves de madeira da nave central, deixando o edifício do século XII "totalmente destruído", contou o presidente da câmara de Muxía, Félix Porto, ao jornal "El Mundo".
Apesar dos esforços dos bombeiros de vários municípios vizinhos, pouco se conseguiu fazer para travar as chamas e evitar a destruição da igreja situada junto ao mar, naquela que é conhecida como a "Costa da Morte".
Apesar dos estragos, a importância da igreja levou Junta da Galiza a anunciar que vai tentar reconstruir o histórico templo "custe o que custar", afirmou o presidente Alberto Núñez Feijoo, de visita ao monumento atingido pelas chamas.
Será agora necessária "uma inspeção mais profunda", mas as primeiras indicações apontam para que "não haja nenhum dano grave nem na cúpula, nem nas paredes", revelou à "La Voz de Galicia" o subdiretor de conservação da Direção Geral de Património, Manuel Chaín.
O santuário da Virgem de Barca é lugar de peregrinações desde o século XII e local de celebração de uma das romarias mais emblemáticas da Galiza.
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